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Bolívia acusa Portugal de colocar a vida de Evo Morales em risco

Portugal

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Reuters

O chefe da diplomacia da Bolívia considera que Portugal e França colocaram a vida do presidente Evo Morales em risco ao recusarem a aterragem do avião por suspeitas de que levaria Snowden a bordo

O avião oficial do presidente da Bolívia, Evo Morales, partiu esta quarta-feira do aeroporto de Viena, depois de uma escala forçada de mais de 13 horas por suspeitas de levar a bordo o ex-consultor da CIA Edward Snowden.

Morales e a sua comitiva partiram cerca das 09h45 locais (10h45 em Lisboa) com destino às ilhas Canárias, para uma escala técnica a caminho de La Paz.

A escala forçada em Viena criou um incidente diplomático com Portugal, Espanha, França e Itália, que, na terça-feira, segundo o Governo boliviano, não autorizaram o avião de Morales a sobrevoar os respetivos espaços aéreos por suspeitas de que levaria Snowden a bordo.

Após a aterragem do avião de Evo Morales na Áustria, o ministro David Choquehuanca acusou, em conferência de imprensa, Portugal e França de colocarem a vida do presidente em risco ao cancelarem repentinamente a autorização de sobrevoo e aterragem.

O chefe da diplomacia boliviana reiterou que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos EUA, não se encontrava a bordo do avião, informação que acabou por ser confirmada pelo governo austríaco, que garantiu que o "controlo de passaportes" foi efectuado a todos os passageiros a bordo do avião presidencial.

Choquehuanca adiantou que "vão ser exigidas explicações a Lisboa e a Paris" pelo facto das leis do tráfego aéreo terem sido violadas devido a "rumores infundados sobre a presença de Snowden no avião".

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera também se pronunciou sobre a recusa da aterragem do avião presidencial, explicando que os incidentes se trataram de "um sequestro de Evo Morales na Europa" a mando dos EUA, que pretendia, segundo as palavras de Rubén Saavedra, "intimidar o estado boliviano e o presidente Evo Morales" - que em entrevista se mostrou disponível a conceder asilo a Snowden.