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Bandeira ao contrário e mulher indignada marcam 5 de Outubro

Portugal

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As cerimónias oficiais do 5 de Outubro ficaram marcadas pela entrada no Pátio da Galé, em Lisboa, de uma mulher a gritar contra a atual situação do país e pelo engano do Presidente, que hasteou a bandeira nacional... ao contrário. VEJA OS VÍDEOS

As cerimónias ainda estavam a decorrer - discursava o Presidente da República, Cavaco Silva - quando se começou a ouvir um burburinho no fundo da sala junto à entrada do Pátio da Galé. Na altura, uma mulher gritava dizendo ser incapacitada, não ter trabalho e não ter futuro.

"Tenho uma pensão de cerca de 200 euros, estou farta de procurar trabalho, já tentei fazer limpezas, mas não consigo arranjar nada", disse aos jornalistas Luísa Trindade, 57 anos.

No seu discurso - depois de hastear a bandeira nacional "de pernas para o ar" (e assim se manteve durante o tempo suficiente para todos darem por isso) - o Presidente da República frisou hoje que o seu papel é estar acima dos conflitos e advertiu que "o nosso sacrifício tem de ter um propósito" e Portugal uma linha de rumo de médio e longo prazo.

"Nos termos da Constituição, o Presidente da República deve situar-se numa posição suprapartidária, acima das controvérsias políticas que marcam o dia-a-dia, pois só assim poderá ser moderador em caso de conflitos, promotor de consensos, atuar com isenção e imparcialidade", disse o chefe de Estado.

Ainda durante o discurso do Presidente, irrompeu pelo Pátio da Galé, a cantora líria Ana Maria Pinto a cantar a música "Firmeza" de Lopes-Graça, com poema de José João Cochofel.

"Não seja o travor das lágrimas/capaz de embargar-te a voz/que a boca a sorrir não mate/nos lábios o brado de combate/Olha que a vida nos acena para além da luta/Canta os sonhos com que esperas,/que o espelho da vida nos escuta", cantou, tendo sido muito aplaudida.