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António Borges diz que o "ideal" era salários baixarem

Portugal

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Luís Barra

O consultor do Governo considera que a "única medida" aplicável é manter o salário mínimo, mas, à semelhança de Passos Coelho, admite que "o ideal até era que os salários descessem como solução imediata para resolver o problema do desemprego"

"Julgo que a única medida que se podia tomar nesta altura é manter o salário mínimo como está, porque a primeira prioridade, das dificuldades todas que as pessoas defrontam hoje em dia, é voltar a pô-las a trabalhar, é encontrar postos de trabalho e isso não se faz tornando o posto de trabalho mais caro", afirmou António Borges numa entrevista à Rádio Renascença.

Na quarta-feira, o primeiro ministro reagiu contra a sugestão do líder do PS de aumentar o salário mínimo, recordando o exemplo da Irlanda, que fez o oposto. Passos Coelho sublinhou, no entanto, que a medida não poderia ser aplicada em Portugal devido ao já baixo valor do salário mínimo.

"Quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, a medida mais sensata que se pode tomar é exactamente a oposta. Foi isso que a Irlanda fez no início do seu programa", recordou o primeiro-ministro, reagindo à proposta de António José Seguro de aumentar o salário mínimo nacional.

Agora é António Borges a defender a teoria. Na entrevista à Renascença, sublinhou que "ninguém quer um país de gente pobre, toda a gente quer um país próspero". "Mas antes disso temos uma emergência nas mãos e a emergência é uma taxa de desemprego acima dos 17%. O ideal até era que os salários descessem como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego", considerou.