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Antigos e atuais membros da Cinema Novo confirmam VISÃO e desmentem casal Dorminsky

Portugal

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Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky acusam a VISÃO de recorrer a "falsidades" sobre a cooperativa e o Fantasporto. Antigos e atuais membros da Cinema Novo desmentem, porém, os diretores, e confirmam o seu conhecimento da generalidade dos factos revelados na nossa investigação.

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"O teor de alguns dos factos revelados no artigo da VISÃO são do meu conhecimento e, por isso, não me sinto legitimado a desmenti-los". A frase é de António Reis, um dos diretores do Fantasporto e sócio da Cinema Novo, que organiza o festival. Reis é apenas um dos elementos ligados à cooperativa dirigida por Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky que confirmam que a veracidade da generalidade da matéria publicada na edição desta semana da VISÃO sobre as eventuais ilegalidades e irregularidades na estrutura e no festival que o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) enviou às Finanças e à Inspeção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) para investigação.

Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky desmentiram esta sexta, 6, algumas das matérias constantes no artigo, ameaçando recorrer às "sedes próprias" para contestar as alegadas "falsidades" reproduzidas na nossa edição (ver comunicado).

Em declarações à VISÃO, António Reis garante que alguns dos pontos referidos no comunicado da Cinema Novo "não correspondem à verdade", acentuando: "De há 9 ou 10 anos para cá não tenho cargos nos corpos gerentes nem participo das assembleias gerais, com exceção da última dada a gravidade da situação". Reis justifica esta atitude pelo manifesto "distanciamento face a decisões com que discordava". O diretor do Fantas diz ainda que o argumentário de Beatriz e Dorminsky "é da exclusiva responsabilidade dos seus subscritores", informando que "desde a última assembleia-geral, nunca mais foi contactado telefónica, pessoal ou por mail por ninguém da direção".

Para o sócio da Cinema Novo a polémica está a causar "danos irreparáveis à imagem do Fantasporto", entendendo assim que "a resolução do problema passa pela convocação de uma assembleia-geral extraordinária da cooperativa para esclarecimento dos factos imputados, por auditorias, se necessário, das entidades competentes e, em último caso, de recurso aos tribunais", refere. São essas, segundo António Reis, as condições cruciais para que se possa reparar os danos ao festival e preparar a edição de 2014.

Ricardo Clara, também sócio da Cinema Novo, lamenta, entretanto, que "um projeto extraordinário como o Fantas fique prejudicado pelas notícias vindas a público". Contudo, assume, "era voz corrente dentro das estruturas do festival que algo de errado se passava". Contactada também pela VISÃO, Áurea Ribeiro, ex-funcionária da Cinema Novo incluída no despedimento coletivo levado a cabo em março, assumiu apenas que "a generalidade do artigo da VISÃO, naquilo que é do meu conhecimento, corresponde à verdade", recusando-se, para já, a adiantar mais pormenores. Rui Pinto Garcia, antigo colaborador do Fantas e envolvido na organização do primeiro Baile dos Vampiros considera que a reação de Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky só pode dever-se a "um problema de memória ou de abstração da realidade, ou até mesmo de capacidade de gestão ou de interesse sobre o futuro do festival". Segundo Rui Pinto Garcia, "mais do que perder tempo com minudências folclóricas que qualquer futuro e prometido escrutínio trará uma vez que certamente os documentos que têm de existir e a realidade provarão tudo, deixava a pergunta de como é que o Fantasporto chegou a esta situação e onde estão os recursos que foram gerados em décadas de existência, e no que me diz respeito direto, como é possível que um evento que gerava anualmente quase 250 mil euros de apoios privados (apenas patrocínios e publicidade) no início do século, cerca de dez anos depois está nesta situação e os perdeu todos", refere. "Que tipo de gestão é esta e que prémio merece?", questiona.