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Açores: E depois do adeus de César?

Portugal

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Este domingo se verá se a Região terá pela primeira vez um governo minoritário

Vinte anos de PSD. Dezasseis de PS. O Governo Regional dos Açores só conheceu, desde 1976, duas cores políticas e dois nomes: o social-democrata Mota Amaral e, desde 1995, o socialista Carlos César. Este domingo, 14, os 225 mil eleitores açorianos escolherão o terceiro presidente do Governo Regional. E, avaliar pelas sondagens, a luta está renhida.

Berta Cabral, 59 anos, pertence à fileira de Pedro Passos Coelho no PSD. Foi sua mandatária para os Açores nas eleições internas que o líder laranja ganhou a Paulo Rangel. E, há apenas um mês, em entrevista ao jornal Sol, garantia: "Temos excelentes dirigentes no PSD que nos orgulham e nos honram, especialmente Pedro Passos Coelho". Mas, após a polémica sobre a TSU, o discurso mudou. À RTP/Açores perguntava a ex-presidente da câmara de Ponta Delga: "Alguém me acha parecida com o dr. Passos Coelho? Tenho um passado. Não nasci ontem para a política". E o primeiro-ministro seria o único líder partidário a não ir à Região nesta campanha.

Já o candidato do PS, Vasco Cordeiro, 39 anos, tenta capitalizar a insatisfação com o Governo de Lisboa. O jurista, que já foi deputado regional, secretário da Agricultura e Pescas e secretário da Presidência referiu que, no dia das eleições, "os açorianos vão responder se querem um governo do mesmo partido que sustenta o Governo da República, que, para além da austeridade da República, traga mais austeridade para os Açores".

Se pela primeira vez nem PSD nem PS conseguirem maioria absoluta, procuram-se parceiros para o Governo. O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, avisou que só aceitará se "tiver poder de veto sobre todas as matérias", mas parece notar-se uma aproximação entre socialistas e centristas. Quanto ao BE, disse que não se une "aos partidos da Troika [PS, PSD e CDS]".

Doze forças políticas concorrem a estas eleições e o domingo promete.  No meio do frenesim da campanha houve lugar para um consenso entre candidatos. Todos defendem a manutenção da atual lei das finanças das regiões autónomas e temem que o Governo de Lisboa altere o articulado que descrimina positivamente os Açores.