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A coligação PSD/CDS "estalou"?

Portugal

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O coordenador nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou sexta-feira, que a coligação entre o PSD e o CDS-PP "estalou", acrescentando ter dúvidas de que o Governo consiga elaborar o Orçamento de Estado. Concorda com Louçã? Dê a sua opinião

"Ninguém sabe se este Governo é sequer capaz de fazer um Orçamento, muito menos se é capaz de dar corpo a este assalto fiscal e a este arrastão social que está a fazer à sociedade portuguesa", frisou, considerando que "a coligação esfarelou-se e o Governo afundou-se num mar de confusão".

O coordenador nacional do BE falava em declarações à Lusa, no final de um jantar-comício em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, no âmbito da campanha para as eleições regionais nos Açores, que decorrem a 14 de outubro.

Francisco Louçã salientou que o mal estar entre os partidos da coligação foi visível na Assembleia da República durante o debate da moção de censura apresentado pelo Bloco de Esquerda.

"Era evidente que Paulo Portas, ao contrário do que acontece sempre, não ia encerrar o debate, não tinha uma palavra para dizer, que o defunto partido do contribuinte passou a ser a coligação dos partidos do maior aumento da história de Portugal, para não ter nenhum efeito senão o aumento da dívida", frisou.

Para o coordenador nacional do BE, este Governo "é um perigo público" e independentemente do desfecho da coligação "nem do PSD, nem do CDS pode vir qualquer recuperação da credibilidade de uma política económica contra a dívida e contra a bancarrota".

Nesse sentido, Francisco Louçã garantiu que a moção de censura, que foi rejeitada na quinta-feira, "continua de pé cada dia que passa", porque é preciso "uma alternativa a este descalabro social que o Governo provoca".

No discurso que proferiu no comício em Angra do Heroísmo, o coordenador nacional do BE lembrou os incidentes das comemorações do 5 de outubro, referindo-se a uma senhora que interrompeu uma "cerimónia meio fechada", para dizer ao Presidente da República que ganhava 244 euros de reforma e que eram os filhos que a ajudavam.

"Quando há um milhão de pessoas, de mulheres como aquela e de homens, que depois de uma vida de trabalho, têm 244 euros, quando há um milhão de pessoas desempregadas que não têm nada de nada, não é uma bandeira que está ao contrário, é o País que está do avesso", frisou, acrescentando que "se o presidente não quer ouvir, tem de haver quem ouça".