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Rio compara esquerda a "exigente noiva" que obrigará a "ginástica financeira" do PS

Portugal

Diana Tinoco

Presidente do PSD diz que um Governo de 70 elementos dava para formar seis equipas de futebol e avisa que os Orçamentos do Estado vão obrigar António Costa a aceitar medidas que não inscreveu no programa do Governo. E insistiu na polémica do lítio de Montalegre

O debate era sobre o programa do Governo, mas Rui Rio já tem os olhos postos nos Orçamentos do Estado. O presidente do PSD afirmou esta quinta-feira, no Parlamento, que "dificilmente poderemos esperar [do Governo] coisa muito melhor" nesta legislatura, uma vez que os entendimentos, formais ou informais, do PS com os partidos à sua esquerda obrigarão a contrapartidas avultadas. Por isso, o social-democrata equiparou, sem os nomear, BE, PCP, PAN, PEV e Livre a uma "exigente noiva".

"Dificilmente poderemos esperar coisa muito melhor, até porque o que os Orçamentos terão de ter, que este programa não precisa de consagrar, são as exigências que a anunciada noiva fará para aceitar o casamento orçamental. Seja num simples namoro ocasional de apenas um ou dois anos, numa união de facto mais ou menos assumida ou num casamento sólido e duradouro, em qualquer circunstância, o enxoval por que o Governo tanto anseia terá necessariamente de ter como contrapartida a felicidade desta exigente noiva. Uma nubente cara que, seguramente, exigirá do seu companheiro socialista alguma ginástica financeira com o magro rendimento de que dispõe, agora que já não vivemos tempos de grande euforia económica", comparou o Rio, no encerramento do debate do programa do Executivo socialista, que, apesar das críticas, não mereceu a apresentação de uma moção de rejeição por parte do PSD.

Apesar de ter saudado o facto de ter sido reposta a prática de indigitação como primeiro-ministro do líder partidário "do partido mais votado nas legislativas", o líder social-democrata condenou novamente o tamanho do Executivo de António Costa. Um Governo de 70 elementos, gracejou, que daria para "formar seis equipas de futebol" e ao qual ainda sobrariam quatro suplentes.

Do púlpito do hemiciclo, lamentou a "desvalorização" da Agricultura, o "corporativismo" na Justiça, as múltiplas falhas e ineficiências na Saúde e avisou que a bancada "laranja" - que provisoriamente vai comandar - vai prestar "particular atenção à qualidade dos serviços públicos, que o PS tanto degradou".

Tal como na véspera, Rio defendeu que "o negócio da extração de lítio no norte do País", mais concretamente em Montalegre, "seja clarificada", salientando que o PSD "não vai deixar este enigma por desvendar", por estar em causa um caso que, "no mínimo, levanta seríssimas dúvidas quanto à sua transparência".

Embora tenha mostrado ceticismo sobre o rumo que a governação deverá seguir, designadamente no plano fiscal, o líder social-democrata antecipou que o partido vai mover-se sempre "pelo interesse nacional" e fez uma reta final de discurso virada para dentro, isto é, dirigido aos adversários e críticos internos. "Não estaremos aqui para destruir nem criticar tudo o que os outros possam fazer. A política do bota-abaixo carece de inteligência", observou, assegurando que fará uma "oposição construtiva, mas dura, incisiva e implacável" com as falhas do Executivo de António Costa.