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Conceição Monteiro apoia Sofia Vala Rocha na corrida à distrital do PSD/Lisboa

Portugal

Luiz Carvalho / DR

Histórica secretária de Sá Carneiro diz que as pessoas "têm estado muito desencantadas" com o estado do partido e que a candidata tem "energia" para inverter a situação. "Faz-me lembrar a garra que eu tinha", aponta. Já a candidata à sucessão de Pedro Pinto nega que seja o regresso do santanismo e garante que aquilo que as une é o fundador social-democrata.

Conceição Monteiro, emblemática secretária e confidente do fundador do partido Francisco Sá Carneiro, é a primeira subscritora da candidatura de Sofia Vala Rocha à presidência da distrital do PSD/Lisboa. Em declarações à VISÃO, a histórica social-democrata confirma o apoio à jurista e elogia-lhe as qualidades políticas e pessoais. "É uma rapariga nova, que não precisa disto para nada, que não é carreirista, nunca foi 'jotinha'… Lembro-me de ser assim quando tinha a idade dela. É uma fiel e muito convicta admiradora de Francisco Sá Carneiro e quer fazer política como ele fazia. Para mim, é óbvio que é uma ótima credencial", afirma.

Foi o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares e também antigo ministro Adjunto do primeiro-ministro Rui Gomes da Silva (candidato à mesa da Assembleia Distrital) a desafiá-la num primeiro momento para apoiar Sofia Vala Rocha, e Conceição Monteiro explica que, devido à "enorme amizade" que têm e às "muitas batalhas" em que estiveram "do mesmo lado", não hesitou. "Foi com muita honra que assinei ontem [quarta-feira, 23] os papéis. E a Sofia tem a garra de que o partido precisa", aponta a mulher que ainda hoje mexe com a alma dos “laranjinhas” por causa da relação umbilical com Sá Carneiro.

Inácio Ludgero

A poderosa distrital de Lisboa vai a votos a 9 de novembro e Conceição Monteiro sublinha que o outro candidato, Ângelo Pereira, vice-presidente da estrutura durante quatro anos, vereador na Câmara Municipal de Oeiras e muito próximo de Miguel Pinto Luz, não lhe enche as medidas. “Não me diz absolutamente nada. Não tem perfil para a distrital de Lisboa, que, em tempos, foi uma peça fundamental e com um peso extraordinário no partido”, lamenta, enfatizando que “as pessoas têm estado muito tristes e desencantadas” com o rumo que o partido tem tomado nos últimos tempos.

Ainda que as suas ligações a Pedro Santana Lopes sejam publicamente assumidas – assim como sucede com Rui Gomes da Silva -, Conceição Monteiro afasta a ideia de que a candidatura de Sofia Vala Rocha simbolize o regresso do santanismo. “Não, não, não é”, assegura . “A nossa amizade com o Pedro mantém-se. Ele é como um filho para mim, mas às vezes os pais e os filhos não são do mesmo clube…”, graceja sobre o agora líder do Aliança.

Já a candidata também corta com essas interpretações. “A ideia da Conceição Monteiro é Sá Carneiro. A ligação umbilical a Sá Carneiro é uma ligação que me diz muito. Eu sou sá carneirista. Na apresentação que fiz aos 13 mil eleitores de Lisboa começo com ‘Sá Carneiro fundou o PSD e a social-democracia’”, fundamenta Sofia Vala Rocha, realçando ter “uma honra imensa” que a número dois do partido queira associar-se à candidatura e “àquilo que ela representa”. “Estou muitíssimo agradecida à Conceição por ter aceitado ser a primeira subscritora da minha lista”, reforça.

Quanto à ideia do santanismo, a mulher que esteve para avançar para a concelhia da capital, mas acabou por avançar para a distrital (por opor-se a que a estrutura se transforme numa bolsa de votos para contendas nacionais), também evita as confusões. “Não existe rigorosamente nada. A Conceição trabalhou com Sá Carneiro, o Rui Gomes da Silva também esteve na governação de Sá Carneiro. O que nos une é a figura de Sá Carneiro”, atira a conselheira nacional dos sociais-democratas.

E prossegue: “Quanto ao Rui Gomes da Silva, digo o mesmo que digo do candidato à presidência do Conselho de Jurisdição Distrital [Luís Pais Antunes], que é a ideia central do meu projeto: a recuperação de pessoas que serviram o País nos governos portugueses e que serviram as pessoas e o PSD e que são garantes de qualidade e respeitabilidade e dos valores do PSD na sociedade portuguesa. É a recuperação dos quadros que as pessoas reconhecem como figuras com valor e referências do PSD na sociedade.”

Sobre o facto de Pais Antunes, secretário de Estado nos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes e seu marido, entrar na corrida ao seu lado, Sofia Vala Rocha nega qualquer conflito de interesses ou semelhanças com o familygate. “As nomeações do Governo foram nomeações para cargos remunerados e nomeações do Estado, o que significa a captura do Estado por parte do PS. Esta situação é diferente, é uma eleição, são os militantes do PSD que vão votar, num ato eleitoral que é livre. Em segundo lugar, os militantes vão escolher sabendo em quem estão a votar, num ato interno de um partido político. Não é como no Governo, em que votaram em António Costa e depois montou-se uma rede de familiares e amigos”, distingue.

E os argumentos a favor de Pais Antunes e Gomes da Silva continuam: “Em terceiro, são cargos não remunerados. Zero! Em quarto lugar, são pessoas com uma vida profissional intensa e que resolveram participar cívica e politicamente neste ato eleitoral num momento em que o PS acabou de vencer as eleições e formar Governo e em que seria, se calhar, bem mais fácil estarem na sua atividade profissional ou a fazerem outra coisa qualquer. Em quinto lugar, resolveram dar um sinal público apoio à minha candidatura e ao meu projeto, contra a candidatura de Ângelo Pereira, que é uma candidatura do aparelho.” Ainda assim, quando questionada sobre a relação entre o adversário e Pinto Luz, é contida e separa as águas. “É uma candidatura das estruturas e fechada à sociedade civil”, limita-se a declarar Vala Rocha, que integrou as listas do partido nas últimas autárquicas.

Por sua vez, Conceição Monteiro analisa o estado do PSD com manifesta apreensão. Aponta o dedo à perda de influência em vários distritos do País e lembra que a “grande marca” do partido “sempre foi a implantação territorial. “O PPD foi fundado em maio [de 1975] e em agosto já tinha militantes de Vila de Santo António a Vila Real de Trás os Montes...”, explica.

Quanto à disputa interna pela liderança, recusa tomar partido por quem quer que seja, nem se mostra muito entusiasmada com os candidatos. Ainda assim, deixa “um alerta”: “Não tenho preferência, não vou apoiar nenhum dos candidatos. Nunca apoiei Rui Rio, mas era melhor termos o nosso líder no Parlamento. Ter outra pessoa a enfrentar o primeiro-ministro [nos debates quinzenais] não será bom. Pode ser um erro não considerar esse ponto...”, remata.