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Antigo "vice" de Pinto Luz candidata-se à distrital de Lisboa do PSD

Portugal

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Começou a guerra pelo controlo do aparelho. Ângelo Pereira anuncia esta quinta-feira que é candidato à poderosa distrital, depois de várias figuras já terem manifestado o apoio ao vice-presidente da Câmara de Cascais (que continua em silêncio sobre a disputa interna que se avizinha)

O vereador do PSD na Câmara de Oeiras, Ângelo Pereira, vai ser candidato à presidência da distrital de Lisboa do partido. Segundo a VISÃO apurou, o candidato dos sociais-democratas àquela autarquia em 2017 e braço direito de Miguel Pinto Luz na distrital durante quatro anos fará o anúncio de candidatura esta quinta-feira e contará já com o apoio da maioria das concelhias.

O avanço para a chefia da poderosa estrutura está a ser lido como um primeiro sinal de guerra no aparelho "laranja" num quadro mais alargado, isto é, o da disputa interna pela liderança do partido, até porque Ângelo Pereira foi sempre um "desalinhado" em relação à direção de Rui Rio.

Em setembro do ano passado, o Observador noticiou que a direção do PSD iria avançar com um processo em tribunal contra o vereador oeirense por este ter deixado cerca de 100 mil euros em dívidas referentes à campanha autárquica (a candidatura terá despendido mais de 200 mil euros, quando o valor autorizado pela cúpula nacional não ia além dos 67,6 mil). Na altura, Ângelo Pereira argumentou ter cumprido “escrupulosamente a lei” e afirmou estar a ser alvo de “perseguição” por parte do homens de Rio por ter apoiado Pedro Santana Lopes nas diretas de janeiro de 2018.

O avanço de Ângelo Pereira, atualmente vice-presidente de Pedro Pinto (apoiante de primeira hora de Santana e um dos líderes distritais envolvidos no movimento revoltoso do início deste ano), está já a suscitar algum desagrado nas fações minoritárias do distrito, que, ouviu a VISÃO de fontes partidárias, consideram tratar-se de uma tentativa de controlo das diversas estruturas locais.

E há mais. Sob anonimato, os críticos realçam o historial de casos de Ângelo Pereira, nomeadamente ter sido um dos visados pelas investigações da operação Tutti Frutti e ainda ter sido apanhado em viagens à China a expensas da Huawei.

Perante este cenário, os que não estão em sintonia com a corrente de que fazem parte Pinto Luz, Carlos Carreiras (presidente da Câmara de Cascais) e Pedro Pinto, admitem procurar um rosto alternativo para concorrer. Resta saber se o conseguirão encontrar, e com que hipóteses de sucesso.

Quanto a Pinto Luz, continua a somar apoios para a já indisfarçável candidatura. Conforme a VISÃO escreve na edição que estará nas bancas esta quinta-feira, 10, o vice-presidente da Câmara de Cascais conta já com José Eduardo Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente, Carlos Carreiras e Ricardo Gonçalves, presidentes das câmaras de Cascais e de Santarém, Telmo Faria, ex-autarca de Óbidos, José Matos Rosa, secretário-geral do partido nos tempos de Passos, Bruno Vitorino, líder da distrital de Setúbal, e Vasco Rato, presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

O anúncio de que entrará na corrida à presidência do partido está a ser preparado com o máximo detalhe e não deverá acontecer antes de Rio revelar aquilo que vai fazer. Esta noite, já se sabe, é a vez de Luís Montenegro, na SIC, adiantar que está disponível para o combate.