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Como a Gerigonça deixa Transportes, despesas na Saúde e na Educação em três gráficos

Portugal

Gonçalo Rosa da Silva

Que país deixaram PSD e CDS? Que margem tinha o Governo para optar por um caminho diferente? Em fecho de ciclo, analisamos que marca imprimiu nos Transportes, na Saúde e na Educação, no primeiro de três artigos dedicados à herança da Geringonça

A situação era de tal forma caótica que, em maio, o ministro das Infraestruturas pediu desculpa pelo caos nos transportes. A CP era um problema. Mas também eram um problema a Soflusa e a Transtejo, todas com as recorrentes supressões – por falta de comboios e barcos ou por força das greves.No transporte ferroviário, os dados do INE mostram uma quebra brutal entre 2015 e 2016, que não foi recuperada no ano seguinte. O Governo escuda-se no imobilismo dos antecessores, que não lançaram concursos e deixaram o investimento cair a pique. Os valores de 2017 (110 milhões) aproximaram-se dos de 2014, mas ainda ficam longe do investimento dos 177 milhões de euros de 2015.
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A situação era de tal forma caótica que, em maio, o ministro das Infraestruturas pediu desculpa pelo caos nos transportes. A CP era um problema. Mas também eram um problema a Soflusa e a Transtejo, todas com as recorrentes supressões – por falta de comboios e barcos ou por força das greves.No transporte ferroviário, os dados do INE mostram uma quebra brutal entre 2015 e 2016, que não foi recuperada no ano seguinte. O Governo escuda-se no imobilismo dos antecessores, que não lançaram concursos e deixaram o investimento cair a pique. Os valores de 2017 (110 milhões) aproximaram-se dos de 2014, mas ainda ficam longe do investimento dos 177 milhões de euros de 2015.

É recorrente: sempre que fala do estado da Saúde, o primeiro-ministro diz que há hoje mais cirurgias, consultas e profissionais no Serviço Nacional de Saúde, em comparação com 2015. Verdade. Tal como é verdade que, em termos absolutos, o investimento no setor (livre de cativações) tem vindo a ser reforçado. Ainda assim, analisando os dados em função do PIB, percebe--se que o investimento no setor tem sido cada vez menor. Ao crescimento global da economia portuguesa não tem correspondido um reforço equivalente das verbas para a Saúde. Para voltar ao ponto de partida da legislatura (e a um peso de 4,7% do setor nos gastos do Estado), seria necessário um reforço de três décimas no orçamento da Saúde.
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É recorrente: sempre que fala do estado da Saúde, o primeiro-ministro diz que há hoje mais cirurgias, consultas e profissionais no Serviço Nacional de Saúde, em comparação com 2015. Verdade. Tal como é verdade que, em termos absolutos, o investimento no setor (livre de cativações) tem vindo a ser reforçado. Ainda assim, analisando os dados em função do PIB, percebe--se que o investimento no setor tem sido cada vez menor. Ao crescimento global da economia portuguesa não tem correspondido um reforço equivalente das verbas para a Saúde. Para voltar ao ponto de partida da legislatura (e a um peso de 4,7% do setor nos gastos do Estado), seria necessário um reforço de três décimas no orçamento da Saúde.

Temos de recuar quase 30 anos para encontrar o momento, antes de 2017, em que a Educação pesou apenas 3,7% nas contas do Estado – foi em 1990, durante a primeira maioria absoluta de Cavaco Silva.Nesta legislatura, a contestação foi subindo de tom e, como é hábito, na linha da frente estiveram os professores, com a bandeira da recuperação dos mais de nove anos de carreiras congeladas. O tema levou a um dos momentos quentes da legislatura, em maio, com a ameaça de demissão do primeiro-ministro se o Parlamento aprovasse a reposição integral desse tempo. Em valores absolutos, Tiago Brandão Rodrigues contou, em 2018, com um orçamento de cerca de 6,4 mil milhões.
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Temos de recuar quase 30 anos para encontrar o momento, antes de 2017, em que a Educação pesou apenas 3,7% nas contas do Estado – foi em 1990, durante a primeira maioria absoluta de Cavaco Silva.Nesta legislatura, a contestação foi subindo de tom e, como é hábito, na linha da frente estiveram os professores, com a bandeira da recuperação dos mais de nove anos de carreiras congeladas. O tema levou a um dos momentos quentes da legislatura, em maio, com a ameaça de demissão do primeiro-ministro se o Parlamento aprovasse a reposição integral desse tempo. Em valores absolutos, Tiago Brandão Rodrigues contou, em 2018, com um orçamento de cerca de 6,4 mil milhões.

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