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De italiano para italiano: David-Maria Sassoli é o novo presidente do Parlamento Europeu

Portugal

O ex-jornalista arrecadou a maioria dos votos logo à segunda ronda das votações. Conseguiu 345 votos dos eurodeputados que esta semana tomaram posse para a nova legislatura

David-Maria Sassoli é o novo presidente do Parlamento Europeu. O italino foi escolhido à segunda volta, com 345 votos dos eurodeputados. Acabou por afastar os três adversários que se tinham lançado na eleição: Ska Keler, pelos Verdes, Sira Rego, pela esquerda europeia, e Jan Zahradil, pelos eurocéticos.

Sassoli foi eleito esta quarta-feira de manhã, numa votação que esteve marcada para o dia anterior mas que foi adiada para permitir a conclusão da maratona de negociações entre os líderes europeus para os lugares de topo das instituições europeias. O processo prevê a realização de quatro rondas de votação, caso nenhum dos candidatos obtenha a maioria absoluta dos votos expressos até à terceira. Mas, este ano – e ao contrário do que aconteceu na eleição de Antonio Tajani –, a eleição ficou resolvida logo à segunda volta.

O ex-jornalista italiano conseguiu os tais 345 votos, 13 votos acima do mínimo necessário para obter a maioria absoluta. Na primeira intervenção como presidente eleito, Sassoli lembrou os desafios que a Europa tem pela frente - com as migrações, as alterações climáticas, a revolução digital - e defendeu uma "mudança" nas instituições europeias, para que possam "responder de forma mais forte às exigências dos cidadãos", mas também exigiu que o Parlamento Europeu seja "protagonista" da arquitetura e das decisões europeias.

Há mais votações na agenda. A escolha dos 14 vice-presidentes do Parlamento Europeu decorrem já na tarde desta quarta-feira. Nesse campo, o destaque vai para a nomeação do socialista Pedro Silva Pereira para um dos quatro lugares reservados para os Socialistas e Democratas nesse colégio. A escolha do ex-ministro não deverá encontrar obstáculos.

Quanto a outros equilíbrios, Sassoli deverá ser a primeira figura do Parlamento Europeu nos próximos dois anos e meio. Depois, passa o testemunho ao alemão Manfred Weber, lançado como candidato pelo Partido Popular Europeu para a presidência da Comissão Europeia mas que falhou na hora de gerar um consenso suficientemente forte entre os líderes europeus.

A divisão do lugar entre o italiano e o alemão Manfred Weber foi a solução alcançada na terça-feira em Estrasburgo, entre os líderes sentados no Conselho Europeu, para desbloquear o impasse nas negociações para a distribuição dos lugares de topo no xadrez europeu. Foi o próprio presidente Donald Tusk quem o admitiu, na conferência de imprensa em que confirmou o acordo: “A nossa intenção é ter um presidente do Parlamento [Europeu] dos Socialistas e Democratas (S&D) para a primeira metade do mandato e um candidato do Partido Popular Europeu para a segunda metade.”