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Legislativas: António Costa promete mais mulheres para cabeças-de-lista

Portugal

Sean Gallup/ Getty Images

Líder do PS disse que ia fazer “todos os possíveis” para que quase metade dos candidatos do PS a encabeçar as listas para as eleições legislativas sejam mulheres. Há seis pontos quentes por resolver

António Costa quer ir além da lei. As regras da paridade que o Parlamento aprovou em fevereiro obrigam a uma distribuição percentual de 40/60 entre homens e mulheres nos cargos e órgãos de decisão política. Mas fontes do PS dizem à VISÃO que, esta quinta-feira, na reunião da Comissão Nacional do PS em que foram aprovados os critérios para a elaboração das listas para as eleições de 6 de outubro, o secretário-geral socialista prometeu fazer “todos os possíveis” para garantir uma paridade nas 18 listas do continente. Há seis casos bicudos para Costa resolver.

À partida – e porque o processo ainda está a arrancar -, o PS tem 10 listas fechadas ou, pelo menos, com fortes indicações de que a escolha para o primeiro lugar do gupo está tomada e que recairá sobre um homem. António Costa será o cabeça-de-lista por Lisboa e dali não se esperam surpresas. Depois, há outros nomes a circular na estrutura socialista e algumas dúvidas que obrigam a uma gestão política do dossier.

O ministro Pedro Nuno Santos (Aveiro), os deputados e líderes das respetivas federações Jorge Gomes (Bragança), Luís Moreira Testa (Portalegre) e Pedro do Carmo (Beja), além do deputado Ascenso Simões (Vila Real) são referidos como estando “fechados”.

No Porto, o ministro João Pedro Matos Fernandes é uma aposta que o próprio secretário-geral já deu sinais de ver com bons olhos, mas continua em aberto por força da estratégia eleitoral. Mário Centeno, que já foi apontado como uma aposta certa por Faro – em abril, as Finanças disseram que esse cenário não tinha “qualquer fundamento “ -, poderia ser “transferido” para o norte numa lógica de capitalizar mais votos e conseguir mais lugares para os socialistas num distrito onde os resultados do PS têm ficado aquém do desejado. Na prática a dúvida no Porto implica incertezas também na lista mais a sul do continente.

Em Évora, também há dois nomes em cima da mesa: o do ministro Capoulas Santos, naquela que seria uma reedição da escolha de 2015, ou Norberto Patinho, presidente da federação. Tudo depende da disponibilidade (ou falta dela) do governante. No grupo dos capítulos em aberto, mas onde já se dá por garantido que será um homem a encabeçar a lista, está Braga. O ministro Pedro Siza Vieira é uma hipótese em cima da mesa.

Há ainda outras duas certezas, mas agora no feminino: Ana Catarina Mendes e Hortense Martins lideram em Setúbal e em Castelo Branco, apesar da contestação de que a presidente da federação beirã tem sido alvo localmente (uma contestação que não abalou a lealdade da estrutura socialista).

Dez casos com nomes no masculino, duas mulheres no primeiro lugar e seis listas restantes para António Costa alcançar o seu objetivo: Coimbra, Guarda, Leiria, Santarém, Viseu e Viana do Castelo. Em 2015, apenas em três destas listas houve mulheres na linha da frente (Coimbra, Leiria e Viseu), e duas dessas candidatas rumaram entretanto a Bruxelas para assumir o cargo de deputadas ao Parlamento Europeu - casos da ex-secretária de Estado, Margarida Marques, e da ex-ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques. São os seis desafios do secretário-geral, se quiser chegar perto de uma distribuição de 40/60 entre os cabeças de lista do PS às legislativas.

A fasquia que o líder socialista estabeleceu na reunião do órgão mais alargado do partido entre congressos, ao defender uma espécie de paridade horizontal, “não é imposta por lei”, nota um dos socialistas presentes no encontro. “A lei reporta-se ao conjunto” das listas apresentadas por cada um dos partidos e não estabelece regras para o equilíbrio de género em cada lugar de cada uma das listas apresentadas.

Além disso, e como a VISÃO já tinha adiantado, o secretário-geral pretende garantir a paridade vertical nos dois primeiros lugares: um homem e uma mulher ou uma mulher e um homem. O PS também quer refrescar a bancada com caras novas e com independentes. Essas serão as linhas orientadoras com que cada federação vai preparar as respetivas listas, sendo que o calendário socialista remete a votação dos nomes para 23 de julho.

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