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A aposta do Politico para comissário Europeu? Maria Manuel Leitão Marques

Portugal

"Não há impossíveis", dizia o primeiro-ministro, na apresentação do Simplex 2016, com Maria Manuel Leitão Marques ao lado

Marcos Borga

Ex-ministra garante que nunca falou com António Costa sobre essa hipótese. Mas também diz que vai “orientando a vida” com o que surge pelo caminho

“Respeitada pelo trabalho como ministra da Presidência e da Modernização Administrativa” no Governo de António Costa, Maria Manuel Leitão Marques tem tantas hipóteses de ser nomeada comissária europeu como, por comparação, Angela Merkel tem de chegar a um lugar de topo nas instituições europeias na próxima de cadeiras de Bruxelas. A hipótese é lançada pelo influente site Politico, num ranking das 14 mulheres que “vão tomar o poder” na Europa nos próximos meses. “Vou orientando a minha vida em função daquilo que tenho à minha volta”, diz a ex-ministra à VISÃO.

Leitão Marques é a número dois da lista que António Costa lançou nesta campanha para o Parlamento Europeu. E, apesar de o cabeça-de-lista (e, também ele, ex-ministro) Pedro Marques surgir naturalmente sob os holofotes mediáticos como um possível futuro comissário – o tema já tomou, aliás, conta da campanha do PSD –, é na primeira mulher do grupo socialista que o Politico foca as atenções.

Num artigo publicado esta quarta-feira, a versão europeia do site de informação Politico admite que Maria Manuel Leitão Marques tem cinco pontos (em dez possíveis) de aceder a um lugar na próxima composição da Comissão Europeia. À VISÃO, a ex-ministra diz que se candidata “a um modesto lugar no Parlamento Europeu” e que “quando uma pessoa se candidata a um lugar, é para exercer esse lugar”.

A resposta podia excluir, liminarmente, qualquer disponibilidade da ex-ministra da Presidência e da Modernização Administrativa para ocupar um lugar no próximo executivo europeu. Mas Leitão Marques sabe que a escolha que vier a ser tomada por António Costa vai depender, e muito, do desenho parlamentar que sair das eleições do próximo dia 26 (em Portugal). Essa é uma das principais condicionantes do jogo, neste momento.

Ex-ministra “surpresa” com a escolha

O nome que António Costa apresentar ao próximo presidente da Comissão Europeia “depende da área que Portugal conseguir” negociar, seja com Manfred Weber (candidato pelo Partido Popular Europeu), seja Frans Timmermans (pela Aliança dos Socialistas e Democratas europeus). É a própria número dois do PS quem relembra isso mesmo. As próximas jogadas neste tabuleiro continuam a ser discutidas num restrito grupo, e Costa terá ainda de perceber que margem tem para apresentar determinado perfil para os lugares disponíveis na Comisão. Essa margem dependerá, também, do resultado que o PS português conseguir na noite eleitoral.

O Politico recorda que, há pouco mais de duas semanas, numa entrevista ao jornal Público, Leitão Marques não afastou o cenário de integrar o executivo europeu. Disse que “isso não [estava] em discussão” naquele momento, mas não escondeu que “gostava muito” de modernizar a administração da União Europeia. A ex-ministra garante à VISÃO que “nunca” falou com o primeiro-ministro sobre a possibilidade de ser ela a escolha. E admite que até ficou “surpresa” quando, esta quarta-feira, começou a percorrer a lista de nomes que o Político elencava como futuras “senhoras da Europa” e acabou por deparar-se com a sua própria fotografia. “Nem sei de onde veio a ideia, mas se isso significa o reconhecimento do meu trabalho [como ministra da Modernização Administrativa], não posso que não fico contente”, assume.

Leitão Marques – que quis “dizer não” na primeira vez que lhe ligaram para fazer campanha pelo PS, em 2015 – acabou por dar velocidade a dossiers como o novo Simplex, a modernização dos procedimentos relacionadas com o Cartão do Cidadão e que acabou a trabalhar com a Inteligência Artificial para apoiar a tomada de decisões na Administração Pública. “Projetámos Portugal no mundo, com medidas reconhecidas internacionalmente, inclusive pela OCDE, e tornámo-nos um dos nove países classificados como digital nations e tive muito gosto em contribuir para isso, mas foi preciso trabalhar muito”, diz. A hipótese de ser comissária europeia “nunca [lhe] passou pela cabela”, mas não é por isso que deixa de destacar a sua marca nos últimos quatro anos de governação.

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