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CDS admite vir a chamar António Costa à comissão de inquérito a Tancos

Portugal

Nuno Magalhães diz à VISÃO que "manda a prudência não excluir a priori nenhuma diligência" para apurar a verdade e as responsabilidades políticas em torno do furto e da recuperação do material militar. Marcelo Rebelo de Sousa está apreensivo e deve discutir o assunto ainda esta quinta-feira com o primeiro-ministro

A notícia de que o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, saberia da alegada encenação em torno da recuperação do material militar de Tancos ainda estava fresca quando o CDS decidiu reagir. O líder da bancada centrista, Nuno Magalhães, convocou os jornalistas para adiantar que na comissão parlamentar de inquérito (CPI) o partido quer "saber o grau de envolvimento e de conhecimento, os atos e omissões do Governo em geral e do ministro da Defesa em particular" sobre aquele episódio. Pouco depois, em declarações à VISÃO, Magalhães admitiu que, não estando prevista", pode vir a ser requerida uma audição a António Costa, caso tal se revele necessário para apurar a verdade, bem como responsabilidades políticas.

"Não vou revelar a lista de audições", disse o chefe do grupo parlamentar democrata-cristão, acrescentando que só o fará "a seu tempo", depois da aprovação formal da CPI na Assembleia da República. No entanto, frisou que nenhum cenário pode ser descartado: "Em relação ao primeiro-ministro, não está prevista essa chamada, mas, como em qualquer comissão de inquérito, a realidade é dinâmica e manda a prudência não excluir a priori nenhuma diligência."

Certo é que nessa lista vão constar os nomes do ministro da Defesa e do investigador da Polícia Judiciária Militar (PJM) Vasco Brazão, que na terça-feira, segundo o Expresso, terá revelado ao juiz de instrução que a presumível encenação na Chamusca, montada em conjunto com a GNR de Loulé, terá sido comunicada (pelo próprio major e pelo diretor da PJM, o coronel Luís Veira) a Azeredo Lopes - versão que o ministro, pouco depois, viria a desmentir.

Sem querer sobrepor a investigação parlamentar ao trabalho da PJ e do Ministério Público, Nuno Magalhães afirmou ainda que o "dever" dos deputados "é apurar o grau de conhecimento e envolvimento" do governante quer no furto de Tancos, quer, depois, na recuperação das armas.

Nuno Magalhães defendeu ainda que, como vem repetindo há meses, o ministro “não tem condições” para continuar em funções e notou também que "tudo o que vai acontecendo" parece reforçar "a importância e necessidade" de constituição da CPI.

Por sua vez, o presidente da comissão parlamentar de Defesa, o social-democrata Marco António Costa, afirmou ao final desta manhã ao Expresso e "a título pessoal" que está em causa uma "gravidade sem precedentes". À VISÃO, o deputado do PSD repete a declaração, preferindo resguardar-se até que o caso seja esclarecido.

Marcelo vai pedir contas a Costa

Quem também está atento ao folhetim de Tancos é Marcelo Rebelo de Sousa. Segundo soube a VISÃO, o Presidente da República vai conversar sobre a alegada encenação e sobre o presumível conhecimento de Azeredo Lopes com António Costa ainda esta quinta-feira, na habitual audiência do primeiro-ministro em Belém.

O encontro decorrerá após a cerimónia de comemoração da implantação da República em Loures, na qual o chefe do Estado marcou presença. De resto, ainda esta quinta-feira, Marcelo fora questionado sobre o assunto, à margem da tomada de posse do novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, juiz conselheiro António Joaquim Piçarra, e fora defensivo nas palavras proferidas. Fontes de Belém ouvidas pela VISÃO garantem que as cautelas do Presidente são "sintomáticos".