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Candidato do PSD à Câmara de Oeiras alvo de buscas na Operação Tutti Frutti

Portugal

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Ângelo Pereira, vereador do PSD na câmara de Oeiras, foi um dos visados das buscas da passada semana devido a suspeitas de favorecimento de militantes do partido durante o mandato de Paulo Vistas

O gabinete de Ângelo Pereira - candidato do PSD à Câmara de Oeiras nas últimas autárquicas e vereador da autarquia – foi um dos alvos das buscas da Operação Tutti Frutti, que na passada quarta-feira levou centenas de investigadores a varrerem câmaras e juntas de freguesia de todo o país em busca de ajustes diretos e outros contratos públicos que terão beneficiado militantes do PSD e do Partido Socialista.

Na Câmara Municipal de Oeiras, ao que a VISÃO averiguou, os procuradores do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e os inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) procuraram contratos públicos assinados durante o mandato de Paulo Vistas na Câmara de Oeiras. Ângelo Pereira, presidente da concelhia do PSD de Oeiras e vereador daquele partido naquela autarquia, era então o responsável por pastas como a modernização administrativa e o empreendedorismo.

Contactado pela VISÃO, Ângelo Pereira admite que foram feitas buscas no seu posto de trabalho, mas garante que nada de interesse foi encontrado para o processo.

Um dos ajustes diretos que estará sob suspeita dos investigadores foi assinado entre a câmara de Oeiras e a empresa Informantem, de Henrique Muacho, um dos arguidos do processo que tinha no centro João Alberto Correia, ex-diretor-geral do Ministério da Administração Interna, e que foi o candidato do PSD por umas horas à junta de freguesia de Póvoa de Santo Adrião e Olival de Basto, em Odivelas. Esse ajuste direto foi assinado em agosto de 2016, pelo valor de 51.114 euros, e foi noticiado pela VISÃO, em agosto do ano passado, na sequência das notícias (do Observador) sobre os políticos que tinham viajado para a China a convite da Huawei.

Ângelo Pereira foi um dos convidados pela empresa tecnológica. O vereador do PSD viajou, em fevereiro de 2015, com dois dos principais suspeitos da operação Tutti Frutti: o vice-presidente da bancada do PSD, Sérgio Azevedo, e o presidente da junta de freguesia da Estrela, Luís Newton. Mas nega ter beneficiado qualquer um dos colegas do partido, neste ou noutros contratos. “Não adjudiquei nada. Não tinha sequer essas competências”, diz à VISÃO Ângelo Pereira, acrescentando que já conhece Sérgio Azevedo e Luís Newton “há muitos anos”, mas não tem com eles “qualquer relação comercial”: “Aqui na câmara nunca vi qualquer favorecimento deles, nem sequer contactos nesse sentido.”

Paulo Vistas, então presidente da câmara de Oeiras, também viajou com a empresa para a China uns meses antes, em setembro de 2014. Em agosto de 2016, Vistas alegou à VISÃO ter conhecido Muacho precisamente nessa viagem à China e alegou que ele seria “um dos responsáveis da Huawei”. Outras fontes negaram-no: Muacho tanto vendia produtos da Huawei como de outras marcas. Desta vez, o ex-autarca não respondeu às tentativas de contacto da VISÃO.

A “Operação Tutti Frutti”, investiga alegados “favorecimentos a militantes” do PS e PSD, através de avenças e contratos públicos. “No essencial”, o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, em colaboração com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ, investiga “um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político” que terão desenvolvido “entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”.

Em causa estão suspeitas de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.