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Lisboa: T2 da Segurança Social leiloado a partir de 1150€/mês. CDS pede intervenção de Fernando Medina

Portugal

Tiago Miranda

Centristas pedem ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa que intervenha junto do Governo para cancelar leilão em que um T2 da Segurança Social está a ser licitado com um valor base de 1150€/mês. "Tem de agir em conformidade com o que apregoa", diz o vereador João Gonçalves Pereira

"Não é aceitável que Fernando Medina ande a promover o discurso das rendas acessíveis mas depois mantenha o silêncio neste caso." Quem o diz é João Gonçalves Pereira, vereador do CDS da Câmara Municipal de Lisboa (CML). O também deputado centrista refere-se ao um caso que o partido denunciou esta segunda-feira: a Segurança Social colocou em leilão um T2 de 100 m2, entre Belém e Algés, com uma base de licitação de 1150 €/mês. Este valor coincide com aquele que tem sido praticado pelas imobiliárias nos últimos meses naquela zona da capital - cerca de 10€ por cada metro quadrado.

Para o CDS, é o Governo "a entrar no campo da especulação", algo que para os centristas é incompatível com o discurso dos socialistas. "O PS tem de agir em conformidade com aquilo que apregoa" e exige a intervenção de Fernando Medina junto do Executivo do seu mentor político, António Costa, para que o concurso seja anulado.

O número dois de Assunção Cristas explica ainda à VISÃO que as contradições não se esgotam aqui, já que no mês de abril a autarquia "cancelou um concurso da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) em que uma família tinha aceitado pagar por um T2 de 77 m2 pouco mais de 900€/mês." O concurso acabou por ser anulado porque a CML considerou que "a atribuição de casas do universo municipal a preços de mercado" era mais uma acha para a fogueira da especulação imobiliária.

Depois de as oito famílias afetadas pelo cancelamento deste concurso terem negociado com a autarquia, ficou decidido que três delas ficariam com as casas pelo valor base de licitação - 350 € - porque existia o "risco real e iminente de perda de habitação própria e permanente." As restantes cinco famílias perderam o direito às habitações, que vão agora entrar num concurso de rendas condicionadas.

Recorde-se que nesse caso Fernando Medina dispunha de mais ferramentas do que no caso do T2 de Algés que a Segurança Social está a leiloar. No primeiro, a responsável pelo concurso era a SRU, uma empresa municipal. No segundo, a situação não é tão simples. O presidente da CML não tem competências para anular um concurso cujo máximo responsável é a Segurança Social - leia-se: O Governo. Apesar de haver uma maior limitação, o vereador centrista acredita que "existe a possibilidade de exercer influência junto de António Costa" para que o leilão volte para trás.

A VISÃO tentou contactar o gabinete de Fernando Medina mas não obteve resposta. O Bloco de Esquerda, que com o PS compõe a geringonça camarária da capital, afirmou que não ia comentar este caso.