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Paulo Campos avança em lista adversária à de António Costa

Portugal

Paulo Campos, como José Sócrates, durante a inauguração do Túnel do Marão

Lucília Monteiro

Secretário de Estado das Obras Públicas, muito próximo de José Sócrates, integra o conjunto de nomes escolhidos por Daniel Adrião para a Comissão Política Nacional do PS, que será eleita esta noite

É a maior surpresa da lista de Daniel Adrião para a Comissão Política Nacional do PS. A VISÃO apurou que Paulo Campos, antigo deputado e secretário de Estado das Obras Públicas nos governos chefiados por José Sócrates, é o terceiro colocado no conjunto de escolhas do socialista que desafiou a liderança de António Costa nas últimas duas eleições diretas do partido.

A opção de Daniel Adrião está longe de ser consensual, uma vez que Paulo Campos está a ser investigado pelo Ministério Público por alegada gestão danosa - as suspeitas de corrupção têm vindo a perder força - nas Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias estabelecidas durante a governação de Sócrates. E mais: apesar de há dois anos, o ex-secretário de Estado ter integrado as cinco indicações de Adrião para aquele órgão (na altura numa lista de unidade), agora o seu avanço está a ser lido como uma tentativa do "socratismo" em fazer prova de vida.

Os quatro primeiros nomes da lista para a Comissão Política Nacional, que será eleita esta noite na primeira reunião da Comissão Nacional socialista (o órgão máximo entre congressos), estão longe de agradar à direção nacional socialista. Daniel Adrião, o primeiro, tem sido muito crítico da condução do partido, acusando António Costa de limitar a democracia interna e tendo mesmo defendido que o primeiro-ministro não continuasse como secretário-geral. A segunda é Cristina Martins, a responsável pela denúncia da falsificação de fichas de militantes em Coimbra em 2012, que chegou a ser expulsa do partido, embora a decisão tenha sido revogada pelo Tribunal Constitucional. E o quarto é José Carlos Pereira, diretor da campanha de Adrião nas últimas diretas.

Segundo informações recolhidas pela VISÃO, a direção nacional do PS ainda tentou que Daniel Adrião integrasse a lista "oficial" de António Costa e Ana Catarina Mendes - como sucedera há dois anos -, mas, devido à pressão dos seus apoiantes mais próximos, o dirigente socialista deixou o acordo cair à última hora.

A eleição dos 65 assentos da Comissão Política Nacional é feita esta quarta-feira a partir das 21h00, num hotel de Lisboa. Segundo os estatutos socialistas, "é eleita pela Comissão Nacional, pelo sistema de listas completas e segundo o princípio da representação proporcional". Além desses 65 membros, integram-na ainda, entre outros, o secretário-geral, a secretária-geral adjunta, o presidente e líder parlamentar do partido, os presidentes das federações distritais, o secretário-geral da JS e os líderes dos grupos parlamentares do PS/Açores e do PS/Madeira.

Recorde-se ainda que esta será a primeira reunião dos 251 elementos da nova Comissão Nacional do PS, escolhida por voto direto no 22º Congresso, na Batalha. No sufrágio, Daniel Adrião conseguiu eleger 28 representantes para este órgão.