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Sócrates em entrevista à VISÃO: "O programa da direita é a Operação Marquês"

Ao mesmo tempo que diz dispensar lições de moral sobre o empréstimo do amigo Carlos Santos Silva, “dois anos depois” de ter abandonado o governo, o ex-primeiro-ministro acusa o PSD de estar reduzido à “miserável condição” de ter como discurso o processo em que está acusado. Costa, Seguro, Cavaco, Santana, Passos e Joana Marques Vidal ficam de orelhas a arder. Na véspera de um congresso do PS, em que o antigo líder, que entretanto entregou o cartão de militante, será outra vez o “elefante na sala”

Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

Marcos Borga

Marcos Borga

Repórter Fotográfico

André Moreira

André Moreira

Jornalista Multimédia

Passavam três minutos da hora combinada quando, na segunda-feira, 21, José Sócrates, de óculos de sol, fato azul, mangas da camisa desabotoadas e sem gravata, chegou ao local de encontro, no Vip Executive Art's Hotel, a 2 200 metros da rua onde reside, no Parque das Nações, em Lisboa. Na primeira entrevista desde que anunciou o fim de 37 anos de militância no PS, e na semana em que os socialistas se reúnem em congresso, na Batalha, o antigo primeiro-ministro, 60 anos, defendeu-se das acusações feitas na Operação Marquês e repudiou a ideia de que haja algum juízo ético a fazer sobre si ou sobre membros dos seus governos (como Manuel Pinho) visados noutras investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Em 2 horas e 54 minutos bastante acesos, Sócrates criticou o PSD por esgotar o discurso com o processo em que é acusado de 31 crimes, equiparou-se a Lula da Silva como vítima de um processo politizado, apontou o dedo ao PS por ter sido "cúmplice" dos "abusos" da Justiça, garantiu que há quatro anos "não existe" qualquer relação com António Costa e sublinhou não apreciar o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, embora o elogie por se ter distanciado de Aníbal Cavaco Silva.