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Investigação da VISÃO precipita turbilhão de reações

Portugal

A três anos de silêncio (e inação) desde que foram detadas anomalias em zonas sensíveis da Ponte 25 de Abril, seguem-se agora as reações em catadupa

Primeiro, foi o Governo a anunciar uma verba de 18 milhões de euros para proceder a obras urgentes na Ponte 25 de Abril, depois manifestaram-se os vários partidos, com o PS a dizer que "nenhum político quer ter uma morte na sua consciência", o PSD a dizer que quer ouvir técnicos antes de apurar responsabilidades políticas e o CDS a chamar o Ministro das Infraestruturas e o LNEC ao Parlamento com "caráter de urgência". Já quinta-feira, o Presidente da República disse esperar "que as obras comecem rapidamente" e chegaram as reações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, da Insfraestruturas de Portugal e do Ministério das Finanças. Enquanto isso, os cidadãos mostravam-se alarmados com as notícias, num caso em que até parece que só a investigação da VISÃO fez as autoridades avançar para as obras.

LNEC garante que Ponte 25 de Abril "está e estará segura"

O presidente do conselho diretivo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Carlos Pina, garante que a Ponte 25 de Abril "está e estará segura", explicando que não existe perigo para os utentes.

Carlos Pina, que falava aos jornalistas no LNEC, na quinta-feira, em Lisboa, disse que o relatório foi pedido ao laboratório para identificar as anomalias da infraestrutura.

O mesmo responsável referiu que está previsto que as obras decorram durante dois anos e que durante esse período não existe perigo para os utentes da Ponte 25 de Abril, explicando que está afastada a ideia de interdição da circulação de veículos pesados na ponte, o que só poderia acontecer caso a situação se agravasse.

"As anomalias que, recentemente, têm vindo a público são na realidade detetadas precisamente com o programa de monitorização que fizemos. Os primeiros trabalhos em que o LNEC esteve envolvido foram feitos em 2012, depois disso temos acompanhado os trabalhos das Infraestruturas de Portugal, no sentido de interpretar as causas dessas anomalias e definir qual é a melhor estratégia de intervenção para voltar a assegurar as necessárias condições de segurança", explicou.

No entanto, Carlos Pina admite que, na sequência de um despacho do secretário de Estado das Infraestruturas, o LNEC elaborou um parecer onde defendia que as obras "deviam ser realizadas o mais depressa possível".

"O LNEC irá continuar a realizar a monitorização e irão continuar a ser realizadas as inspeções pelo Instituto de Segurança e Qualidade ao longo deste período e também durante as obras, no sentido de garantirmos a segurança. Desde a ocorrência destas anomalias, o acompanhamento é mais atento, necessariamente, para que não hajam ocorrências inesperadas", concluiu.

Infraestruturas de Portugal diz que obra na Ponte 25 de Abril "não é urgente"

O presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, considera que a obra de reparação da Ponte 25 de Abril "não é urgente" e que, se houvesse perigo, a infraestrutura "estaria fechada".

"Não é uma obra urgente nem emergente", apesar de ser "prioritária" para a IP, declarou o responsável, que falava em conferência de imprensa na sede da empresa, em Almada.

António Laranjo admitiu que a IP já sabia da existência de fissuras na Ponte 25 de Abril - que liga as duas margens do rio Tejo entre Almada e Lisboa - há dois anos, mas rejeitou perigo, alegando que, nessa situação, "a ponte estaria fechada".

De acordo com o responsável, o concurso público internacional de reabilitação da estrutura deve ser lançado no dia 22 de março e estimou que as obras arranquem no final deste ano, início do próximo.

IP diz que Ministério das Finanças demorou seis meses a autorizar obras...

O Ministério das Finanças demorou cerca de seis meses a autorizar a obra de reparação da Ponte 25 de Abril, mas já o fez, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), que garante avançar com o concurso este mês.

"Não estamos [à espera]. Temos autorização para lançar os concursos já que, de outra forma, não poderíamos lançá-los", disse o presidente da IP, António Laranjo, em conferência de imprensa na sede da empresa, em Almada.

O responsável notou que toda a programação da obra "é feita com o Ministério das Finanças e com a secretaria de Estado [das Finanças]", sendo esta a única forma de "avançar com os concursos".

... mas Ministério das Finanças diz que não

O ministério de Mário Centeno, nega, por seu lado, que tenha demorado seis meses a aprovar as obras de manutenção da Ponte 25 de Abril. Num esclarecimento enviado aos jornalistas, o Ministério das Finanças diz que "a Lei do Orçamento do Estado para 2018 previa já os montantes necessários à intervenção na Ponte 25 de Abril, no quadro do calendário de manutenção regular e plurianual previamente estabelecido".

Na que chegou às redações, o ministério refere que os relatórios do LNEC de fevereiro de 2018 e do Instituto de Soldadura e Qualidade de janeiro, que a VISÃO divulga na edição desta semana, "indicaram a necessidade de realização de obras a curto prazo, confirmando a programação previamente definida pela Infraestruturas de Portugal".

Face a estes relatórios, o Governo garante que “aprovou prontamente as respetivas portarias de extensão de encargos”.

com Lusa