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PS sobre as obras na Ponte 25 de Abril: "Nenhum político quer ter uma morte na sua consciência"

Portugal

Marcos Borga

Deputado André Pinotes Batista defende o ministro do Planeamento e diz que desconhece o relatório do LNEC divulgado pela VISÃO.

Sem se atravessar por completo pelas Finanças, o deputado assegura que nenhum documento ficaria "na gaveta" se a segurança das pessoas estivesse em causa. Heitor de Sousa anuncia que o BE vai requerer o relatório e perguntar ao Governo "porque é que demorou tanto tempo" a tomar medidas. PCP não se pronuncia.

São as primeiras reações oficiais (do PS e do BE) à notícia da VISÃO acerca da existência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que dá conta dos graves riscos de segurança na Ponte 25 de Abril, que exigem uma intervenção imediata sobre a travessia, e que chegou ao Ministério das Finanças há um mês. O PS, pela voz do deputado André Pinotes Batista, garante que não conhece o documento, mas sai em defesa do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, alegando que se Pedro Marques soubesse de algum perigo para a vida dos passageiros rodoviários e ferroviários "nenhum relatório ficaria na gaveta".

Em declarações à VISÃO, o parlamentar, eleito pelo círculo eleitoral de Setúbal, é taxativo: "Nenhum político quer ter uma morte na sua consciência." A demora, acredita André Pinotes Batista, dever-se-á à "complexidade destes processos" que precisam de ser "articulados entre o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, as Infraestruturas de Portugal (IP) e o LNEC", pelo que recusa que seja possível "desbloqueá-los do dia para a noite".

Apesar do pedido da secretaria de Estado das Infraestruturas para que Centeno desbloqueasse perto de 20 milhões de euros - foram disponibilizados 18 milhões - para que houvesse uma intervenção profunda na travessia que liga Lisboa e Almada ter sido feito há seis meses, para o deputado socialista, caso o ministro Pedro Marques "soubesse que havia perigo para a segurança das pessoas não havia nenhum relatório que ficasse na gaveta".

Já a defesa de Mário Centeno é mais contida. "A margem orçamental pode ser reduzida, mas sempre que existe uma necessidade premenete este Executivo não falha", remata o deputado "rosa", sem adiantar possíveis justificações para aquilo que já está a ser visto como mais um "veto de gaveta" do Terreiro do Paço.

Pelo Bloco de Esquerda (BE), o deputado Heitor de Sousa também realça que não conhece o documento confidencial do LNEC a que a VISÃO teve acesso, mas vinca que, a confirmarem-se também "todas as circunstâncias" anteriores que apontavam para a degradação do estado da Ponte 25 de Abril - como a existência de fissuras, brechas, parafusos sem aperto e até a queda de uma peça (de 60 centímetros e três quilogramas) -, o partido não deixará de "questionar o Governo sobre as razões que poderão explicar a existência desse relatório".

"Faremos um requerimento para ter acesso ao dito relatório e vamos questionar o Governo sobre as razões de ter mantido em situação de inatividade as medidas urgentes que uma situação destas poderia requerer", afirma o deputado bloquista, que critica o período que mediou a "ocorrência destes episódios [sintomáticos do desgaste da ponte] e o desbloqueamento destas verbas" por parte de Mário Centeno. O partido coordenado por Catarina Martins considera que é importante conhecer a "fundamentação" do Executivo PS para este caso, até porque, sustenta Heitor de Sousa, "18 milhões de euros não é uma reparação qualquer".

Contudo, o parlamentar que coordena o BE na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas evita estabelecer relações causais entre as tentativas de travar a despesa pública e a inércia do Governo neste episódio em concreto. "O facto de [o relatório do LNEC] estar há um mês no Ministério das Finanças não me parece exagerado, o que me parece exagerado é o tempo acumulado entre o conhecimento da necessidade de obras e a decisão final", reforça. O importante, finaliza Heitor de Sousa, é perceber "desde quando é que o Governo sabe disto, desde quando é que as obras se justificavam e por que é que a decisão demorou tanto tempo".

A VISÃO procurou obter um comentário do PCP, mas, para já, os comunistas recusam pronunciar-se sobre este assunto.