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Chegada de Rio cria convulsão na bancada parlamentar do PSD

Portugal

Carlos Abreu Amorim

Marcos Borga

Carlos Abreu Amorim vai deixar a vice-presidência do Grupo Parlamentar do PSD. Em vésperas do 37º Congresso social-democrata, que vai consagrar Rui Rio como o novo líder do partido, o deputado afirma que sai porque não se revê na estratégia do próximo presidente laranja

O anúncio surge depois de dois vice-presidentes já terem colocado o lugar à disposição após as eleições diretas e numa altura em que as incertezas em torno do futuro da bancada continuam. A chegada de Rio não está, para já, a unir as hostes parlamentares.

Rui Rio provavelmente não contava com Carlos Abreu Amorim para fazer parte da direção que idealizou para a bancada parlamentar do PSD. Afinal, o vice-presidente entrou para a Assembleia da República pela mão de Passos Coelho, em 2011, e apoiou publicamente Pedro Santana Lopes nas eleições diretas do partido. Antecipando-se a uma qualquer decisão do próximo líder social-democrata, o deputado revelou ao jornal I que não pretende assumir nenhum cargo nesta nova fase.

Em declarações à VISÃO, Carlos Abreu Amorim explica que com a chegada de Rui Rio sente que não tem, "em consciência, capacidade para continuar no cargo", e justifica-se com a coerência: "apoiei publicamente Pedro Santana Lopes e disse, desde o primeiro minuto, que não concordava com a moção apresentada pelo dr. Rui Rio, por isso, não seria honesto da minha parte estar a liderar equipas." Recusa, no entanto, a ideia de que a sua demissão seja mais um sinal da desagregação da bancada, argumentando que se trata de uma "posição pessoal." Há cerca de um mês, Sérgio Azevedo e Amadeu Albergaria, dois vice-presidentes do grupo parlamentar que apoiaram Santana Lopes, já tinham posto o lugar à disposição.

Esta quarta-feira, Hugo Soares anunciou aos deputados sociais-democratas, numa reunião à porta fechada, que vai deixar o cargo. A decisão foi tomada depois de, no passado fim de semana, Rui Rio ter conversado com o líder do grupo parlamentar para lhe manifestar que pretende trabalhar com uma nova direção da bancada. Carlos Abreu Amorim considera que se trata de um erro "desnecessário" e de uma "perda de tempo", já que, garante, à volta de Hugo Soares existe "um amplo consenso positivo, como nenhum outro deputado terá."

Os primeiros nomes a serem lançados como os homens fortes de Rio no parlamento foram os de António Leitão Amaro e o de Luís Marques Guedes, mas nenhum dos dois deputados está disponível para suceder a Hugo Soares. No sentido inverso, Fernando Negrão mostrou-se disponível para ocupar a cadeira, mas neste caso é o próprio presidente eleito que parece não estar disposto a fazer essa aposta. Nos últimos dias têm surgido com mais força os nomes de Luís Campos Ferreira e de Adão Silva. No entanto, são dois deputados cujas votações "podem mostrar uma grande divisão na bancada, tendo em conta a quantidade de votos nulos e brancos que acabariam por ter", diz à VISÃO um deputado que não se quis identificar. "Isso seria um mau sinal para começar", colmata.

O anúncio de Carlos Abreu Amorim acontece num período em que as incógnitas em torno de quem serão os novos dirigentes do PSD continuam a contaminar o cada vez mais carregado ar que paira no grupo parlamentar laranja. Na bancada, espera-se que o 37º congresso possa resolver os impasses e clarificar o rumo que deve tomar o PSD sob a batuta de Rui Rio.

(Notícia atualizada às 18:27)

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