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Paulo Brito e Costa transportou numa mala documentos da Raríssimas para sua casa

Portugal

Paula Brito e Costa, fundadora e presidente da Raríssimas - Associação de Deficiências Mentais e Doenças Raras, fotografada em 2012 para a VISÃO

Marcos Borga

Esses documentos, cruciais para a investigação, foram encontrados hoje durante as buscas da PJ. O Ministério Público ponderava afastar Paula Brito e Costa da Raríssimas para que não desaparecessem provas, caso não tivesse sido suspensa de funções

Durante as buscas desta manhã de 21 de dezembro, os inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária (PJ) encontraram em casa de Paula Brito e Costa documentos importantes para a investigação e, que de acordo com fontes ligadas ao processo, terão sido retirados da instituição pela sua fundadora na passada quarta-feira, 20 de dezembro, após abandonar as instalações da Casa dos Marcos com o marido, já depois de ser suspensa de funções pela direcção da Raríssimas. Terão sido transportados numa caixa e numa mala que Paula Brito e Costa levou para o seu carro e posteriormente para sua casa, que hoje foi também alvo de buscas.

Ao que a VISÃO apurou, a equipa de inspectores liderada por Pedro Sales e os dois procuradores do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa que tutelam a investigação tinham ponderado pedir a aplicação de uma medida de coação para Paula Brito e Costa que a afastasse das instalações da instituição criada para apoiar portadores de doenças raras, caso ela não viesse a ser suspensa pelos elementos da direcção, ou não aceitasse abandonar o cargo. Em causa estava o alegado perigo de perturbação do inquérito e de destruição de provas.

Depois de ser suspensa de funções na quarta-feira pela equipa que antes liderava, ontem Paula Brito e Costa foi constituída arguida por suspeitas de crimes de peculato (uso de bens públicos para fins privados), falsificação e recebimento indevido de vantagem.

O DIAP de Lisboa abriu o inquérito há uns dias, na sequência da investigação da TVI que acabou por levar já à demissão do secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado, que terá recebido 63 mil euros para ser consultor da Raríssimas na altura da construção da Casa dos Marcos.

Em causa na investigação estão suspeitas de apropriação ilícita dos dinheiros da instituição particular de solidariedade social (IPSS) e o reembolso de “supostas despesas incorridas” no exercício de funções, “através da apresentação de documentação com informações falsas” e o “indevido pagamento” pela Raríssimas “de viagens a titulares de cargos públicos”.

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