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Vereadora teve de ser levada ao colo para cerimónia oficial de tomada de posse

Portugal

A vereadora Manuela Ralha a ser transportada por bombeiros, para assistir a uma cerimónia oficial da Junta de Freguesia de Alverca e Sobralinho

Jornal O Mirante

A responsável pela inclusão e acessibilidades da Câmara de Vila Franca de Xira teve de ser transportada escada acima, por bombeiros, para participar numa cerimónia oficial, porque a presidente da Assembleia de Freguesia de Alverca se recusou a escolher um local acessível a pessoas com mobilidade reduzida

Manuela Ralha, que se movimenta numa cadeira de rodas, candidatou-se à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para "seguir uma política de inclusão de todos os cidadãos" e lutar para "tornar o concelho mais acessível", diz, à VISÃO. Sendo essa a sua luta, não podia ter um início de mandato mais ironicamente adequado. No dia 18 de outubro, integrou a comitiva oficial de tomada de posse dos eleitos para a Assembleia de Freguesia de Alverca e Sobralinho – marcada para o primeiro andar do quartel dos bombeiros local, sem outro acesso que não uma escadaria (como se vê pela foto publicada pelo jornal regional O Mirante).

"A senhora presidente da Assembleia de Freguesia tinha sido alertada pelo PS e pelo BE. Mas disse que tinha encontrado uma solução. A solução, percebi eu quando lá cheguei, era ser levada ao colo, na cadeira", lamenta a vereadora independente, eleita nas listas do PS, com o pelouro da Cultura, Bibliotecas e Museus e responsável, no gabinete da ação social, pelas pastas da inclusão e acessibilidades. "É uma indignidade", acrescenta.

A escolha do local terá sido simbólica: a junta de freguesia queria homenagear os bombeiros, pelo trabalho difícil que tiveram este verão. Mas tinha alternativas. "Havia forma de contornar a situação: no dia seguinte, em Alhandra, tiraram os carros da garagem do quartel e a cerimónia fez-se lá", conta Manuela Ralha. "O comandante dos bombeiros de Alverca disse que podia ter feito o mesmo, se tivesse sabido com antecedência."

A vereadora (que é também presidente da associação Mithós, que promove os direitos das pessoas com deficiência) garante, no entanto, que não participar no evento nunca foi opção, mesmo – ou sobretudo – depois de perceber que teria de ser transportada por dois bombeiros. "Era meu dever estar presente. A minha missão é esta. O presidente da câmara convidou-me para seguir uma política de inclusão de todos os cidadãos, para tornar o concelho mais igualitário, para tornar o concelho mais acessível, adotar uma política de acessibilidades. Tem sido esse o apanágio da minha vida desde que estou numa cadeira de rodas: ser igual aos outros cidadãos. Isto serviu para chamar a atenção para o problema. Não fazia sentido, logo no início do mandato, vir-me embora. Isto foi também uma tomada de posição."

A VISÃO contactou a presidente da Assembleia de Freguesia de Alverca e Sobralinho, Carlota de Pina (eleita pela Coligação Novo Rumo, liderada pelo PSD), que disse não ter comentários a fazer.