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Sócrates: "Não fui um primeiro-ministro corrupto"

Portugal

O antigo chefe de Governo José Sócrates garantiu hoje que não foi um primeiro-ministro corrupto, defendendo que não há nenhum documento no processo de investigação que prove que o dinheiro em causa era seu.

"Não fui [um primeiro-ministro corrupto], honrei sempre o meu cargo com aquilo que me pareceu ser o interesse do país", afirmou José Sócrates numa entrevista à RTP.

Segundo o antigo-primeiro-ministro, que foi acusado esta semana pelo Ministério Público de 31 crimes, entre os quais corrupção passiva enquanto detentor de cargo público, "grande parte desta acusação não passa de insultos do Ministério Público (MP)".

"O embuste inicial do MP é que eu tinha uma fortuna escondida. Com base em que prova o MP pode fazer uma afirmação destas? Nem nestas folhas nem em nenhum documento encontrará alguém a dizer que o dinheiro é de facto do engenheiro José Sócrates", disse.

Para Sócrates, aquilo que o MP fez não foi uma perseguição a um crime, mas sim "uma perseguição a um alvo". Até porque, sublinhou, o MP "escondeu que nenhuma conta tinha o nome de José Sócrates".

A identificação dos beneficiários das contas de Carlos Santos Silva -- outro dos acusados pelo MP na chamada 'Operação Marquês' -- indica apenas um beneficiário: o próprio Carlos Santos Silva, frisou.

O Ministério Público acusou na quarta-feira o antigo primeiro-ministro José Sócrates por 31 crimes, repartidos por corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no GES e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Além de José Sócrates, foram acusados na Operação Marquês o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data e alegado testa de ferro do antigo primeiro-ministro, o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, os antigos administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-ministro e antigo administrador da CGD Armando Vara.

A acusação deduz um pedido de indemnização civel a favor do Estado de 58 milhões de euros a pagar por José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, entre outros arguidos.

No total, na Operação Marquês foram acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, por um conjunto de 188 crimes.