Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Quem é Graça Mira Gomes, a mulher que vai liderar as secretas?

Portugal

DR

Graça Mira Gomes vai ser a próxima secretária-geral do Sistema de Informações da República (SIRP). Dois meses depois de o também diplomata José Pereira Gomes ter renunciado ao cargo, o primeiro-ministro revelou esta segunda-feira o nome da substituta de Júlio Pereira, que está no cargo desde 2005. A embaixadora prepara-se para ser a primeira mulher a chefiar as secretas

António Costa já escolheu quem vai suceder a Júlio Pereira como secretário-geral do SIRP. Graça Mira Gomes, embaixadora com experiência na área da segurança, é o nome que se segue na liderança das secretas. Desde 2015 que se encontra em Viena, onde é embaixadora de Portugal junto da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Entre 2011 e 2015 esteve em Bruxelas como representante portuguesa no Comité de Políticas de Segurança da UE (COPS). Graça Mira Gomes vai agora ser a primeira mulher a chefiar as secretas.

Esta escolha representa não apenas o fim da espera de Júlio Pereira, que tinha pedido para deixar o cargo quando o atual Executivo tomou posse - há mais de ano e meio -, mas é também o encerramento de uma polémica que durava há mais de dois meses. Em maio deste ano, António Costa indicou o nome de José Pereira Gomes, também ele diplomata, para o cargo. Depois de a escolha do primeiro-ministro ter sido tornada pública, a eurodeputada socialista Ana Gomes escreveu um artigo no Diário de Notícias onde cirticava a atuação de José Pereira Gomes como chefe da Missão de Observação Portuguesa ao Processo de Consulta da ONU em Timor-Leste, em 1999. A eurodeputada acusou o diplomata de, na altura, ter abandonado a missão antes de o processo estar terminado.

Depois das acusações de Ana Gomes, muitas foram as vozes que se sumaram ao coro de críticas. A polémica instalou-se e foi o próprio José Pereira Gomes que no início de junho anunciou que recusava a nomeação. Voltava tudo à estaca zero. Um impasse que atrasou o processo de nomeação em dois meses mas que é agora encerrado com a escolha de Graça Mira Gomes.

A experiência internacional também terá sido determinante no processo de escolha. Para além de ter passado pelo OSCE e pelo COPS, onde adquiriu bagagem e conhecimentos em assuntos de segurança, a diplomata foi ainda Representante Permanente na missão portuguesa na OCDE, em Paris e vice-chefe do Grupo de Ligação luso-chinês em Macau. Licenciada em Direito, é casada com o embaixador José Mira Gomes, que foi Secretário de Estado da Defesa no governo de José Sócrates.

Esta escolha permite ainda identificar um padrão no processo de decisão de António Costa. Tanto no caso de José Pereira Gomes como no de Graça Mira Gomes, o primeiro-ministro optou por indicar nomes retirados da lista de diplomatas com experiência internacional. Se no primeiro caso o turbilhão de críticas fez o embaixador recusar a nomeação, neste segundo não se prevê que haja uma situação semelhante. Graça Mira Gomes será ouvida pelos deputados antes de ser empossada mas nada indica que o nome da diplomata não seja aprovado no Parlamento. A embaixadora será a primeira mulher e a primeira diplomata a exercer um cargo tão alto na hierarquia das secretas.