Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A Webrand, os documentos e processos do “pântano” das campanhas eleitorais

Portugal

Cristina Ferreira, empresária. Ela é a verdadeira líder da Webrand, agência que prosperou graças às campanhas eleitorais. A sua rede de contactos no PSD, sobretudo a Norte, valram-lhe excelentes negócios. Na foto, surge ao lado de um ex-assessor de Marco António Costa

Pequeno guia do “Webrandgate”, com documentos, para compreender o que está em causa na investigação hoje publicada pela VISÃO.

O “pântano” do financiamento de campanhas eleitorais e dos concursos públicos viciados, com recurso a tráfico de influências políticas, empresas de fachada, negócios simulados e faturação falsa, entre outras ilegalidades, está sustentado em milhares de documentos – leu bem, milhares – e diversos inquéritos conduzidos pela inspeção tributária e o Ministério Público, alguns dos quais já terminados ou em vias de conclusão.

Nas 21 páginas do “dossiê” que hoje divulgámos, com base numa investigação iniciada há três anos, a VISÃO dá-lhe conta de todas as ramificações envolvendo políticos, autarquias, empresas municipais e outros organismos públicos, de cujas influências e contratos o grupo de sociedades da agência de publicidade Webrand beneficiou para alegadamente ocultar financiamentos proibidos por lei a campanhas eleitorais e cometer outras ações fraudulentas.

Para entender o que está em causa, a VISÃO mostra-lhe aqui uma pequeníssima parte dos documentos que sustentam esta investigação, mas como exemplos elucidativos do que foram as práticas da Webrand, com grandes cumplicidades a nível político e autárquico.

Já este ano, o administrador de insolvência escreveu no seu relatório, preto no branco, que os maiores proveitos da agência vinham de campanhas eleitorais do PSD.
1 / 11

Já este ano, o administrador de insolvência escreveu no seu relatório, preto no branco, que os maiores proveitos da agência vinham de campanhas eleitorais do PSD.

Um dos muitos documentos que registam as trocas de mensagens entre a Webrand e a Câmara da Póvoa. Nesta altura, a Grafinvest tinha sido impedida de candidatar-se a concursos por causa de dívidas. Mas Cristina e o adjunto da presidência resolveram o problema a favor da Webrand
2 / 11

Um dos muitos documentos que registam as trocas de mensagens entre a Webrand e a Câmara da Póvoa. Nesta altura, a Grafinvest tinha sido impedida de candidatar-se a concursos por causa de dívidas. Mas Cristina e o adjunto da presidência resolveram o problema a favor da Webrand

Quase um ano depois das eleições autárquicas de 2009, a Webrand ainda não tinha recebido quase 100 mil euros de dívidas da campanha. A gestora Cristina Ferreira apertou então com o então deputado Virgílio Macedo
3 / 11

Quase um ano depois das eleições autárquicas de 2009, a Webrand ainda não tinha recebido quase 100 mil euros de dívidas da campanha. A gestora Cristina Ferreira apertou então com o então deputado Virgílio Macedo

Neste correio eletrónico trocado com Luís Cirilo, diretor da campanha de Luís Filipe Menezes à Câmara de Gaia em 2009, trocam-se impressões sobre a faturação de lonas, parte delas não faturada à candidatura
4 / 11

Neste correio eletrónico trocado com Luís Cirilo, diretor da campanha de Luís Filipe Menezes à Câmara de Gaia em 2009, trocam-se impressões sobre a faturação de lonas, parte delas não faturada à candidatura

A gestora da Webrand dá ordens para entregar 700 bandeiras na Gaianima. O título do email é elucidativo: orçamento bandeira PSD
5 / 11

A gestora da Webrand dá ordens para entregar 700 bandeiras na Gaianima. O título do email é elucidativo: orçamento bandeira PSD

Em 2013, a inspeção tributária cruzou várias informações relacionadas com a Webrand e as empresas a ela ligadas. “Os proveitos de 2009 da Webrand, que ascenderam a 2.539.280, 29 euros, foram em grande parte consumidos pelas faturas emitidas pelas sociedades relacionadas, que se verificou não procederem a entregas de IVA e de IRC. De referir que grande parte destes proveitos”, assinalou o inspetor, “estão relacionados com campanhas eleitorais”
6 / 11

Em 2013, a inspeção tributária cruzou várias informações relacionadas com a Webrand e as empresas a ela ligadas. “Os proveitos de 2009 da Webrand, que ascenderam a 2.539.280, 29 euros, foram em grande parte consumidos pelas faturas emitidas pelas sociedades relacionadas, que se verificou não procederem a entregas de IVA e de IRC. De referir que grande parte destes proveitos”, assinalou o inspetor, “estão relacionados com campanhas eleitorais”

Quando a Webrand atingia o limite legal de ajustes públicos, entrava em campo a Yourprojects, uma sociedade fictícia criada para esse efeito.Neste caso, tudo é combinado com o vereador Fernando Paulo, da Câmara de Gondomar, atual nº 7 na lista de Rui Moreira à presidência da autarquia do Porto
7 / 11

Quando a Webrand atingia o limite legal de ajustes públicos, entrava em campo a Yourprojects, uma sociedade fictícia criada para esse efeito.Neste caso, tudo é combinado com o vereador Fernando Paulo, da Câmara de Gondomar, atual nº 7 na lista de Rui Moreira à presidência da autarquia do Porto

O recurso a empresas para faturar despesas de campanha era habitual, de molde a permitir financiamentos proibidos por lei. Com as dívidas das candidaturas do PSD a apertar as finanças da Webrand, Cristina Ferreira desespera pela indicação “do cliente a quem deram indicação para se emitirem faturas”
8 / 11

O recurso a empresas para faturar despesas de campanha era habitual, de molde a permitir financiamentos proibidos por lei. Com as dívidas das candidaturas do PSD a apertar as finanças da Webrand, Cristina Ferreira desespera pela indicação “do cliente a quem deram indicação para se emitirem faturas”

A revista da campanha de Menezes à liderança do PSD, em 2007, terá sido faturada à construtora Benjor, a quem a Câmara de Gaia, em novembro desse ano, adjudicou obras de quase 1,3 milhões de euros
9 / 11

A revista da campanha de Menezes à liderança do PSD, em 2007, terá sido faturada à construtora Benjor, a quem a Câmara de Gaia, em novembro desse ano, adjudicou obras de quase 1,3 milhões de euros

A troca de mensagens interna entre os gestores da Webrand é um dos exemplos dos esquemas usados pela empresa ao longo de anos e que estão a ser investigados pelas Finanças
10 / 11

A troca de mensagens interna entre os gestores da Webrand é um dos exemplos dos esquemas usados pela empresa ao longo de anos e que estão a ser investigados pelas Finanças

Luís Cirilo foi chefe de gabinete de Menezes na autarquia de Gaia, assessor da administração da Gaiurb, diretor da campanha de Menezes em 2009 e candidato a vice-presidente do Vitória de Guimarães. Ele desmente ter recebido qualquer verba da Webrand ou de Cristina Ferreira, mas em 2011, recebeu uma transferência da gestora da agência no valor de 2000 euros. “Empréstimo”?
11 / 11

Luís Cirilo foi chefe de gabinete de Menezes na autarquia de Gaia, assessor da administração da Gaiurb, diretor da campanha de Menezes em 2009 e candidato a vice-presidente do Vitória de Guimarães. Ele desmente ter recebido qualquer verba da Webrand ou de Cristina Ferreira, mas em 2011, recebeu uma transferência da gestora da agência no valor de 2000 euros. “Empréstimo”?