Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Tesourinhos da campanha II: o regresso

Portugal

Há terras com nomes difíceis, slogans com versos de saldo e candidatos a procurar inspiração em Salvador Sobral. Com Portugal em modo eleições, sai mais uma dúzia de cartazes para o eleitor do canto.

“Fazer pelos dois”. Ora bem: isto diz-lhe alguma coisa, caro leitor? Salvador Sobral, Festival Eurovisão da Canção, por aí? É, não é?

Errado! Então não se vê logo que é o slogan do outdoor de Manuel Pizarro, candidato do PS à Câmara do Porto, depois do fim da “união de facto” mantida com Rui Moreira durante quase quatro anos? Sim, esse tempo em que cada um amava o Porto pelos dois. Parece que foi ontem...Espera-se agora, ansiosamente, pela versão eleitoral pós-separação do candidato independente e atual presidente da autarquia. Será qualquer coisa do género “sozinho em casa”? Aguardemos.

1 / 12

2 / 12

3 / 12

Sonia Pacheco

4 / 12

5 / 12

6 / 12

7 / 12

8 / 12

9 / 12

10 / 12

11 / 12

12 / 12

A propaganda do cabeça-de-lista socialista na Invicta é apenas um dos novos “tesourinhos deprimentes” relativos às autárquicas. O termo - popularizado pelos Gato Fedorento – deu entretanto origem a páginas nas redes sociais que se vão adaptando aos períodos eleitorais e coligem os cartazes e múpis que vão aparecendo por este País em modo “eleições ao lume”. A VISÃO pescou mais alguns noutras paragens por estes dias. Nem sempre deprimentes, vá. Mas sempre tesourinhos, claro.

Neste capítulo, Manuel Pizarro é, apesar de tudo, um homem com sorte.

Na Invicta, por exemplo, a candidata da direita retinta do PNR quer fazer “das tripas coração” para tornar a cidade nacionalista. Imagina-se que Sandra Martins não tenha tarefa fácil. Ter-se-á enganado na região?

Os eleitores que votarem em Filipe Lopes, o candidato do PS à presidência da União de Freguesias de Serzedo e Calvos (Guimarães), já sabem, pelo menos, que vão “Continuar Calvos”. Quem o garante é o atual tesoureiro do atual executivo que, por acaso, até tem cabelo. A oposição, copiosamente derrotada há quatro anos, precisa bem mais do que um pêlo para lá chegar...

Terra a terra

Agora a sério: já tínhamos percebido que Portugal tem nomes de terras que não ajudam...Alguns de nós até nasceram nelas.

Ora, se uns puxam pela veia poética para contornar dificuldades geográficas – Sónia Numão, por exemplo, promete que Penedono vai ter...Gestão - há outras candidaturas que tendem a complicar.

Veja-se, por exemplo, o movimento independente à presidência da freguesia de Rio de Moinhos (Penafiel). Aceita-se que a lista seja avessa a cores ou partidos, afinal estamos em democracia, mas caramba...MIFRM?! Podiam seguir o exemplo mais simples de Jaime Alves que se inspirou numa das mil e uma expressões populares dedicadas ao bacalhau para cozinhar a sua mensagem eleitoral e servir Resende “com todos”. Se melhor não houver, pode sempre desenrascar-se uma professora para cabeça-de-lista. O MPP (Movimento Positivo Paredes) - que, suspeita-se, pretende contribuir para purificar as águas infestadas da chamada “partidarite” - nem com os outdoors brinca: para a Câmara, só doutores. E o povo, vota?

Enfim, uns mais iluminados, outros menos, cada um sabe que, até às autárquicas de 1 de outubro, terá de seguir a máxima de Fernando Costa em Arões São Romão (Fafe): “Arregaçar as mangas”. Embora não se saiba muito bem como vai ele fazer isso “de mãos dadas”...

Talvez um gráfico ajudasse.

Não, certamente, os de Joaquim Raposo, em Oeiras. O candidato do PS parece ter ido buscar inspiração aos gatafunhos de Nuno Espírito Santo, ex-treinador do FC Porto, agora em versão power-point. “Temos soluções”, escreve o socialista nos cartazes. O outro dizia algo parecido no Dragão e sabe-se no que deu...Na ânsia de chegar à baliza, no caso ao coração do eleitor, o pragmatismo talvez seja o caminho mais direto, de preferência sem rotundas. Em Cabeceiras de Basto, o independente Jorge Machado lançou-se, sem mais floreados, à presidência e quer uma “terra com gente dentro”. Ponto. Se isto não é, nas entrelinhas, um verdadeiro combate à desertificação, anda lá perto. Haverá coisa melhor do que uma terra e um candidato crescerem juntos, como parece ser o caso de Castro Marim e da socialista Célia Brito? Se Castro Marim pensa o mesmo e pretende crescer com ela, ver-se-á. Neste mandato, a maioria dos eleitores do município decidiu seguir a sua vida com o PSD, deixando a Célia como vereadora.

Convenhamos: o melhor mesmo é fazer como António Martins, o candidato do CDS em Águeda: “4 anos de garantia” é o carimbo da sua lista. É de homem, nenhum eletrodoméstico garante tanto. Mas se correr mal, a DECO não é para aqui chamada. E se calhar até deveria...