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Três médicos constituídos arguidos no processo do negócio do plasma

Portugal

José Carlos Carvalho

Três médicos imunoterapeutas foram constituídos arguidos esta manhã por suspeitas de corrupção nos concursos que deram à Octapharma o monopólio do negócio da venda de plasma aos hospitais públicos portugueses

Seis meses depois de Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, ter sido detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de corrupção nos negócios de compra do plasma sanguíneo, foram esta manhã constituídos arguidos no âmbito do mesmo processo três médicos da especialidade de imunohemoterapia que tiveram responsabilidades nos concursos que deram à multinacional farmacêutica Octapharma o monopólio da venda de plasma aos hospitais públicos portugueses - e que estão a ser investigados pela Polícia Judiciária (PJ) e pelo Ministério Público.

Durante a manhã, 50 agentes da PJ, três juízes de instrução e três procuradores do DCIAP fizeram buscas e apreensões em residências, gabinetes de contabilidade, consultórios médicos e centros Hospitalares de Lisboa e do Porto.

O Ministério Público suspeita que houve corrupção passiva e ativa, recebimento indevido de vantagem e branqueamento na cedência de uma posição de domínio à Octapharma no que respeita ao fornecimento ao Serviço Nacional de Saúde de produtos hemoderivados e plasma humano inativado.

No âmbito desta investigação batizada de O Negativo, a Polícia Judiciária já constituiu oito arguidos, fez duas detenções e realizou 27 buscas e outras diligências de prova, algumas das quais na Suíça e Alemanha.

O que valeu milhões à farmacêutica suíça de Lalanda e Castro - investigado neste processo, no do Vistos Gold e na Operação Marquês, e que foi patrão de José Sócrates - terá causado um prejuízo ao Estado de mais de 100 milhões de euros.