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Hotel da Douro Azul recebe novo parecer negativo da Cultura

Portugal

Mário Ferreira com a Serra do Pilar nas suas costas

Rui Duarte Silva

Projeto do empresário Mário Ferreira ainda não convenceu as entidades ligadas ao Ministério da Cultura, cuja parecer é vinculativo.

São já três os pareceres negativos dados por entidades da Cultura ao novo hotel que a Douro Azul pretende construir na escarpa da serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia.

O projeto de Mário Ferreira para o primeiro hotel em Portugal com uma entrada pela água – neste caso pelo rio Douro – ao estilo de Veneza, tem levantado grandes dúvidas, por estar inserido na zona especial de proteção do Mosteiro da Serra do Pilar e muito perto da área consagrada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Mas o empresário garante à VISÃO que não desiste do hotel e que tem havido um contacto permanente com a Câmara de Gaia e com elementos da Cultura da região Norte para se conseguir “acertar os detalhes” que permitam a sua construção.

Por enquanto, as notícias não são favoráveis. Uma resposta do gabinete do Ministério da Cultura ao Bloco de Esquerda, a que a VISÃO teve acesso, dá conta de três pareceres negativos. A primeira versão do projeto obteve um parecer não favorável logo em junho de 2016. Uma segunda versão também teve o mesmo resultado por despacho de dezembro do diretor dos Serviços dos Bens Culturais.

Nessa altura, o processo foi enviado para a Direção Geral do Património Cultural para ser submetido a parecer da seção de Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura. “Fundamentada na especial sensibilidade da intervenção”, esta seção deu novo parecer desfavorável a 18 de janeiro de 2017.

Confrontado com estes dados, Mário Ferreira admite que continuam “detalhes por acertar” e que os projetos até aqui apresentados pelo arquitecto Audemaro da Rocha “ainda não são os finais”. “Todas as semanas tem havido reuniões entre o arquitecto e o vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio de Azevedo, com a presença de elementos da Direcção Regional da Cultura do Norte para que se consiga submeter um projeto de acordo com os requisitos que se pretendem”, diz o empresário da Douro Azul. Ainda assim, admite que são “critérios sempre discutíveis”.

Em causa está, por exemplo, a volumetria do empreendimento, com 85 quartos e onze apartamentos, restaurante panorâmico, salas para reuniões e piscina aquecida com vista sobre o Douro. O Wine Lodge Hotel será um hotel de cinco estrelas, avaliado em 15 milhões de euros, havendo a intenção inicial de concorrer o projeto ao apoio do Portugal 2020.

A questão aqui é que o local onde se quer construir o hotel está na tal zona especial de protecção, localizada em “servidão administrativa”. Isso significa que “não podem ser concedidas licenças para obras de construção sem prévio parecer favorável da administração do património cultural competente, a DGCP e as DRC (direções regionais da cultura)”, como lembrou o Bloco na sua pergunta ao Governo. E o gabinete do ministro Castro Mendes informa que a preservação “das referidas áreas de excecional valor patrimonial será assegurado através da emissão dos habituais pareceres vinculativos por parte da DGCP e DRCN”.