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Nogueira Pinto vai publicar texto que tinha preparado num jornal e fala em silenciamento "perigoso"

Portugal

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Cancelada a palestra na Faculdade de Ciências Sociais de Humanas, o politólogo diz que o texto que tinha preparado vai ser publicado, em breve, num jornal e que já recebeu convites de sete instituições

"Estes fenómenos de proibir determinadas pessoas, de determinadas orientações políticas, que não são integradas naquilo que podemos chamar o politicamente correto, de falar, acho que isso é perigoso", considerou Jaime Nogueira Pinto, na SIC Notícias, na terça-feira à noite.

A palestra do politólogo, agendada para terça-feira na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi cancelada depois de uma reunião de alunos que aprovou uma moção para impedir a participação do politólogo ultraconservador. A direção da faculdade alegou “preocupações com a segurança do evento”.

"As pessoas, se lhes é verdado falar, procurarão falar de qualquer modo", alertou, adiantando que o texto que tinha preparado vai ser publicado, brevemente, num jornal.

O debate “Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate”, organizado pelo grupo Nova Portugalidade, tinha já sido alvo de fortes críticas por parte da Associação de Estudantes da universidade. Foi aprovada, numa reunião geral de alunos na passada quinta-feira, uma moção para impedir o evento de tomar lugar, pedindo o cancelamento da sala reservada para o efeito.

À TSF, o diretor da faculdade, Francisco Caramelo, explicou que o cancelamento do evento não resultou de pressões sobre a direção nem representou uma “cedência a exigências da associação de estudantes”. Caramelo garante que a palestra não ocorreu devido a preocupações com a segurança do evento, que lhe foram comunicadas pela organização da palestra.

Segundo o diretor, as preocupações não visavam a segurança do conferencista. No entanto, o evento poderia tornar-se “um circo, um momento em que em vez de se estar a discutir uma problemática que era séria, se transformava num confronto de posições”. Confronto esse que, apesar de ser dificilmente ignorado, “não passava pela associação de estudantes”, acrescenta Francisco Caramelo.

A moção, que contém entre os assinantes membros da própria associação de estudantes, associa a palestra a “argumentos colonialistas, racistas, xenófobos”. O órgão estudantil, cuja direção atual iniciou funções em dezembro, reforçou depois o conteúdo da moção nas redes sociais, com uma nota de repúdio ao evento, demarcando-se apesar disso de quaisquer ações de intimidação.

À VISÃO, dois membros representantes da direção da Associação de Estudantes garantiram que o órgão estudantil “sempre esteve completamente distanciado” de qualquer situação violenta ou ameaça, acrescentando que os próprios membros da associação só tomaram conhecimento de preocupações com a segurança da palestra através da comunicação social.

Segundo a posição oficial desta associação, o que fizeram foi limitar-se a comunicar à direção da faculdade a aprovação da proposta para impedir o debate (com 24 votos a favor, quatro contra e três abstenções).

João Soares, deputado do Partido Socialista, partilhou esta tarde na sua página do Facebook um comunicado da Associação 25 de Abril, à qual pertence, afirmando que a associação disponibiliza as suas instalações para acolher a conferência de Jaime Nogueira Pinto.