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Chegou o inverno. Tenha cuidado!

Portugal

Para diminuir a área exposta às temperaturas baixas - subimos e encolhemos os ombros e projetamo-nos para a frente

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O pico do frio mata muito mais do que o pico de calor. Neste inverno, procure proteger-se

Eram 10h44 da manhã desta quarta-feira, 21 de dezembro, quando o inverno começou em Portugal, com a chegada do novo solstício.

Não estamos no grupo de países mais frios da Europa e se a Rússia, a Finlândia ou a Estónia, por exemplo, nos ouvissem a queixar nunca nos levariam a sério. Mas esta não deixa de ser uma altura mais preocupante e em que o frio leva mais gente às urgências. Só no inverno passado, um dos mais rigorosos, morreram mais de 5500 pessoas vítimas de gripe e frio. Recorde-se ainda que já no em 2015 ouvíamos que o inverno deste ano será o mais frio da Europa nos últimos 100 anos, com a chegada de massas de ar vindas do ártico.

Os efeitos negativos do frio são vários tanto ao nível respiratório como ao nível cardiovascular. A descida das temperaturas afeta a nossa pressão arterial, provoca vasoconstrição, aumenta a viscosidade e o risco de coagulação do sangue e leva a respostas inflamatórias. Além disso, o frio causa ainda broncoconstrição e aumenta o risco tanto das inflamações locais como das infeções respiratórias. No caso dos grupos de risco, como pessoas doentes, idosos, crianças e bebés, em que o sistema imunitário já é mais frágil, a proteção deve ser redobrada. A vacinação contra a gripe é aconselhada aos grupos de risco, e não só, mas não os protege de todas as estirpes e, por isso, convém sempre associá-la a comportamentos de cautela.

Um artigo cientifico publicado em maio do ano passado fez uma abordagem do problema do frio na nossa saúde ao nível de vários países. O trabalho conta com a participação de médicos e investigadores da área de Inglaterra à Austrália, da Suécia aos Estados Unidos, de Barcelona a Taiwan, de Itália à Tailândia. As conclusões apontam o frio como muito maior responsável por mortes do que o calor.

Neste estudo foram analisadas 74 225 200 mortes entre 1985 e 2012. Deste valor, 7.71% das mortes deveram-se a condições de calor ou frio muito elevados mas as diferenças entre os países foram substanciais de país para país, o que era já de esperar, uma vez que os países em análise têm climas muito diferentes. O pico do frio foi mais responsável por mortes, com 7.29% das registadas pelo estudo, do que o pico do calor, com 0.42% das mortes analisadas.

A china foi o país onde mais pessoas morreram, no período analisado, por causa do frio com 10.36% das mortes e logo a seguir está Itália com 9.35% das mortes. Itália foi também o país onde mais pessoas morreram, no período analisado por força do calor, com 1.62% das mortes analisadas.

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