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Médicos portugueses dão teleconsultas a doentes de São Tomé

Portugal

António Pedro Ferreira

Projeto financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros quer que doentes de países como São Tomé, onde não existem médicos de determinadas especialidades, possam ser tratados à distância através de sessões de telemedicina

Esta manhã, um simples computador portátil com webcam e uma plataforma de telemedicina chamada Mediagraf permitiram que pacientes de São Tomé, que se encontravam no Hospital Dr. Ayres de Menezes, pudessem ter um diagnóstico de otorrinolaringologia à distância. Em Lisboa, dois médicos – João Paço, otorrinolaringologista e diretor clínico daquela unidade hospitalar na CUF Infante Santo, e Paula Campelo, médica da mesma especialidade – puderam visualizar em tempo real as imagens das diferentes estruturas do ouvido e da garganta dos pacientes, dando orientação para a realização de exames, para os tratamentos que deveriam ser prescritos ou fazendo o encaminhamento, quando necessário, para posterior cirurgia.

As consultas à distância estão englobadas no projeto “Saúde para Todos”, financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros através do Camões – O Instituto da Cooperação e da Língua, e executado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), em coordenação com as autoridades de saúde de São Tomé. O projeto de cooperação é desenvolvido há 25 anos. Além das consultas à distância, há equipas de médicos de vários hospitais que se voluntariam para prestar apoio médico em São Tomé: ao todo, são desenvolvidas missões em 23 especialidades com médicos e enfermeiros de 27 hospitais e outros estabelecimentos de saúde portugueses. Em São Tomé há falta de médicos de diversas especialidades.

Esta manhã, pela primeira vez fizeram-se consultas de otorrinolaringologia, em direto, entre São Tomé e Lisboa. Estiveram presentes o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, o presidente do conselho de administração da José de Mello Saúde, Salvador de Mello. A partir de São Tomé acompanharam a iniciativa a ministra da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e o presidente do conselho de administração do IMVF.

A plataforma de telemedicina Mediagraf foi desenvolvida pela ONG Instituto Marquês de Valle Flôr – IMVFE e pela PT Inovação. Tem sido usada em especialidades como oftalmologia, cardiologia, anatomia patológica ou imagiologia, e permite que médicos em Portugal consigam avaliar e diagnosticar pacientes a quilómetros de distância, sem precisarem de se deslocar. A tecnologia permite que os especialistas tenham já nas mãos um diagnóstico dos pacientes quando seguem para São Tomé para os operar. Permite ainda, por exemplo, que o pós-operatório seja acompanhado pelo médico, a partir de Lisboa.

Entre março de 2013 e dezembro de 2015 foram feitos mais de 55 mil exames a santomenses recorrendo a esta via da telemedicina.