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Menos de um quinto dos eleitores chegam para dar maioria absoluta ao PS nos Açores

Portugal

Marcos Borga

Numa eleição marcada por quase 60 por cento de abstenção, o Partido Socialista voltou a vencer com maioria absoluta a corrida ao Governo Regional, com 46,43% dos votos expressos, menos de um quinto dos eleitores inscritos

com Lusa

O PS conquistou no domingo nova maioria absoluta ao eleger 30 dos 57 deputados do parlamento regional dos Açores, mas teve menos votos e menos um deputado do que há quatro anos, numas eleições históricas pelo recorde da abstenção.

A abstenção atingiu o seu valor mais elevado neste tipo de sufrágio - 59,16% -, sendo o concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, aquele em que esta taxa foi maior: 66,80%.

O PSD também perdeu um deputado, conseguindo 19 mandatos.

O BE e o CDS-PP foram outros vencedores da noite eleitoral, ao elegerem mais deputados, totalizando dois e quatro, respetivamente.

A noite eleitoral ficou ainda marcada pela não reeleição do comunista Aníbal Pires, que, contudo, viu ser eleito pelas Flores um deputado, o que não acontecia há 16 anos neste círculo eleitoral. O PCP-PEV conseguiu assim um mandato.

Por outro lado, regista-se a aposta não conseguida da líder nacional do CDS-PP de fazer eleger a cabeça de lista pelo círculo de São Miguel, Ana Afonso, apesar de Assunção Cristas ter dedicado parte da campanha nesta ilha.

O PPM, por seu turno, manteve o deputado na Assembleia Legislativa Regional, com Paulo Estêvão a ver o retorno do seu trabalho parlamentar ao ser reeleito pelo círculo do Corvo.

O parlamento regional mantém-se assim com as mesmas forças políticas representadas nesta legislatura: PS, PSD, CDS-PP, BE, PPM e PCP.

Vasco Cordeiro, que deverá ser de novo presidente do Governo Regional, destacou que os resultados permitem ao PS uma maioria estável e considerou que os resultados atestam a confiança dos eleitores no partido.

O líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, assumiu a derrota mas nada disse sobre a eventual demissão.

Em Lisboa, foram os líderes dos partidos que assumiram as reações, mas recusaram fazer leituras nacionais dos resultados.

O secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, classificou a quinta maioria absoluta dos socialistas como um "reconhecimento da excelência da governação" socialista, enquanto o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, admitiu que para o seu partido esta não era uma "noite de festa eleitoral".

A presidente do CDS-PP congratulou-se pelo "excelente resultado" dos centristas, sublinhando que tiveram mais votos do que BE e PCP juntos.

Também Catarina Martins foi presença assídua na campanha dos Açores, e tal como o CDS-PP, recolheu frutos, ganhando um deputado: a coordenadora do BE destacou o "resultado histórico" do partido, mas lamentou que o PS tenha mantido a maioria absoluta nestas eleições.

Já o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, lamentou igualmente a nova maioria absoluta socialista, mas destacou o crescimento eleitoral do partido, que manteve um deputado na região.