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Grupo Lena desmente suborno a Sócrates e acusa CM de "inventar provas"

Portugal

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Nuno Botelho

Presidente executivo Joaquim Paulo da Conceição garante que nunca proferiu as declarações que o CM lhe atribui: "O apoio [ao grupo Lena] fazia-se através de José Sócrates e eram realizados pagamentos para este último"

O Grupo Lena garante que "a manchete do Correio da Manhã de hoje é total e completamente falsa". Em comunicado, a empresa de construção civil acusa o jornal e as suas fontes de inventarem "declarações e provas" para uma notícia na qual não procuraram "contraditório".

Em causa está a revelação de hoje do CM de que o presidente executivo do grupo, Joaquim Paulo da Conceição, teria revelado no âmbito do processo Marquês, que envolve José Sócrates, que o "Grupo Lena desenvolveu contactos, através de Carlos Santos Silva, de forma a procurar obter o apoio do poder político". E que "o apoio fazia-se através de José Sócrates e eram realizados pagamentos para este último".

Ora, nem Joaquim Paulo da Conceição, nem o Grupo Lena confirmam estas declarações. Em comunicado, o grupo diz mesmo que elas "pura e simplesmente nunca foram proferidas, nem em declarações no processo nem noutra qualquer situação, nem poderiam ser, uma vez que não correspondem ao seu pensamento nem ao conhecimento que tem do processo".

A empresa de Leiria diz que o CM está a fazer "mais um ataque" ao grupo e aos seus colabores, bem como "à democracia, à liberdade de Imprensa e ao Estado de Direito" e que irá, por isso, intentar uma ação judicial contra o jornal.

"É inominável que, a pretexto de se justificarem determinadas teorias, se lance na lama a reputação de pessoas e empresas, de forma injustificada, cruel e despudorada, colocando em causa a sobrevivência de um grupo de empresas e a manutenção dos mais de dez mil postos de trabalho que, direta ou indiretamente, assegura nas várias geografias em que atua", avança em comunicado.

O nome de José Sócrates está hoje novamente na ribalta com várias notícias sobre o processo Marquês. O Público recupera o interrogatório do empresário luso-angolano Hélder Bataglia, que terá assumido no depoimento que fez em Luanda em abril, os sete milhões de euros que fez chegar a José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates. O Ministério Público tem a suspeita de que este primo, bem como o amigo Carlos Santos Silva, sejam testas de ferro do ex-primeiro-ministro portuguÊs.