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O insulto como arma política

Portugal

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NOEL CELIS/ Getty Images

As eleições americanas têm recuperado o insulto para a política. Mas cá também temos exemplos. Conheça um poema de natália Correia, mesmo a propósito...

A campanha para as presidenciais americanas tem recuperado uma velha tradição do argumentário político universal: o insulto pessoal. Má educação, maus fígados ou ferramenta retórica para a luta política. Usado nos jogos de poder desde que a humanidade começou a criar civilização, o insulto é tudo isso. Tomado com moderação, faz bem à saúde da democracia.

Senão veja-se este caso, em Portugal, passado em 1982. As farpas da poetisa Natália Correia (então deputada do PSD) não mataram mas deixaram uma marca profunda na carreira política do seu colega do CDS João Morgado, que depois de um ataque mordaz, dela ficou com a alcunha de “deputado truca-truca”.

Natália foi arrasadora naquele outono em que se debateu a interrupção voluntária da gravidez, depois de Morgado ter defendido que o único propósito do ato sexual seria a procriação. Natália respondeu-lhe com um poema, escrito ali na hora: “Já o coito – diz Morgado –/ tem como fim cristalino/ preciso e imaculado/ fazer menino ou menina;/ e cada vez que o varão/ sexual petisco manduca/ temos na procriação/ prova de que houve truca-truca/ Sendo pai só de um rebento/ lógica é a conclusão/ de que o viril instrumento/ só usou – parca ração! –/ uma vez. E se a função/ faz o órgão – diz o ditado –/ consumada essa excepção,/ ficou capado o Morgado.”

RECORDE UMA BOA SÉRIE DE EPISÓDIOS DE INSULTOS NA POLÍTICA NA VISÃO DESTA SEMANA, QUINTA-FEIRA NAS BANCAS

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