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Segredos da folha de pagamentos do Governo

Portugal

José Carlos Carvalho

Centenas de secretárias e motoristas, assessores de imprensa que ora são adjuntos ora são técnicos especialistas, chefes de gabinete de forte confiança pessoal ou coordenadores de apoio recrutados na Administração Pública

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O mais bem pago

O chefe de gabinete da ministra da Administração Interna é a pessoa mais bem paga do Governo. Com um salário bruto de 6 973,65 euros mensais, Jorge Albino Alves Costa recebe mais do que o próprio primeiro- -ministro, já que António Costa aufere cerca de 6 439,3 euros brutos (incluindo despesas de representação).

Alves Costa optou, a exemplo de outros, pelo vencimento do local de origem, como subinspetor-geral da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça. Foi chefe de gabinete do ministro Vera Jardim, quando este tutelou a Justiça no primeiro governo de António Guterres. E tinha sido presidente do Grupo de Trabalho de Cooperação Judiciária em Matéria Penal, do Conselho da UE, em 2007.

Secretária de topo

Maria Teresa Morais do Valle Franco é a secretária pessoal do ministro das Finanças e a mais bem paga do Governo nesta função. Recebe 3 180,42 euros brutos e estava já com Mário Centeno no Banco de Portugal. É funcionária do banco central desde 1983 e vem para o Governo em regime de requisição. Acompanha o ministro até ao Terreiro do Paço e opta pelo vencimento de origem.

Assessores com vários nomes

A divisão por funções nos gabinetes nem sempre tem um critério muito coerente. Um rápido olhar, por exemplo, por aqueles que exercem funções de assessoria de imprensa permite perceber que em alguns ministérios são técnicos especialistas, noutros são adjuntos e, se for o gabinete do primeiro- -ministro, são assessores. Fonte do Governo garante que tem muitas vezes a ver com as leis orgânicas dos respetivos ministérios, que nem sempre são iguais. E de onde vêm? Há escolhas para vários gostos. Ex-jornalistas de televisão, imprensa escrita ou rádio formam um dos principais bolos. Há quem venha de outras instituições, como Banco de Portugal ou Santa Casa da Misericórdia ou quem já tenha estado com outros ministros em outros governos socialistas.

Com o salário do banco

O homem que lidera o planeamento estratégico da comunicação institucional do Executivo é Mário São Vicente, a contratação mais cara do gabinete de António Costa. Recebe 5 260,67 euros por mês, tendo optado pelo valor que auferia no Millennium BCP, e ficou ainda autorizado a exercer a atividade de gerente da Pinto Azul, empresa que presta consultoria e serviços nas áreas da comunicação, design, imagem e multimédia.

O seu salário é pago pelo gabinete, mas há casos em que é o próprio serviço de origem que suporta parte dos custos do trabalhador que se muda para o Governo. No gabinete do secretário de Estado adjunto e da Saúde há secretárias pagas em parte pelo Infarmed ou um adjunto com custos para o IPO de Lisboa.

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    Portugal

    São mais de 800 pessoas nomeadas para os gabinetes de ministros e secretários de Estado do Governo de António Costa. Por ano, pesam cerca de 29 milhões de euros no bolso dos contribuintes. De onde vêm? Que critérios estão na origem da sua escolha? Falamos ou não dos tão criticados 'boys'?