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Caixa Geral de Depósitos perdeu 60 milhões com corretora do Banif

Portugal

José Carlos Carvalho

Na primeira audição da comissão de inquérito, ex-gestor reconheceu que a concessão de crédito foi mais arriscada por causa da concorrência no setor bancário

A primeira sessão da comissão parlamentar de inquérito ao Banif ficou marcada pela revelação de que Jorge Tomé participou na negociação de venda de uma corretora do banco do Funchal à Caixa Geral de Depósitos. Joaquim Marques dos Santos, que presidiu ao Banif até 2012, foi o inquirido e, em resposta a uma pergunta de Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, confirmou que Jorge Tomé, então presidente do Caixa Banco de Investimentos, participou na negociação de compra de uma corretora do Banif no Brasil. Mais tarde, Jorge Tomé viria a ser o responsável pelo Banif, após a recapitalização do banco pelo Estado português.

O ex-responsável pelo Banif lembrou que a corretora teve “êxito” no Brasil e que tiveram “necessidade de vender para recapitalizar o banco”. Segundo os dados avançados por Mariana Mortágua, a corretora custou 57,1 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos e anos depois as perdas que o banco público teve de encaixar com o negócio chegaram aos 60 milhões de euros.

Neste primeira audição das 60 previstas pela comissão de inquérito, ficou ainda claro que já na altura da administração de Joaquim Marques dos Santos havia uma percentagem muito elevada de crédito malparado no Banif (imparidades de 8,1% do total do setor financeiro) face à importância que o banco tinha no sistema financeiro português (3,6% da concessão de crédito). O ex-administrador do banco imputou o facto à necessidade de o Banif “arriscar” mais para captar clientes num clima de grande concorrência entre bancos. Mais tarde, reconheceu que houve processos de concessão de crédito que “correram mal”.