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Sócrates meteu cunha no ISCTE para irmã de patrão da Octapharma

Portugal

Rui Duarte Silva

Reitor do ISCTE foi chamado a testemunhar no processo Marquês e teve de explicar, perante o procurador Rosário Teixeira, as circunstâncias em que lhe foi apresentado um currículo por José Sócrates. Ex-primeiro-ministro procurava que Helena Lalanda e Castro fosse chamada a colaborar com o ISCTE e que ali fizesse um doutoramento

Em Setembro de 2014, cerca de dois meses antes de ser detido no âmbito da Operação Marquês, José Sócrates aproveitou um jantar para apresentar um currículo a Luís Antero Reto, reitor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Esse CV era de Helena Lalanda e Castro, irmã de Paulo Lalanda e Castro, o patrão da Octapharma que contratou Sócrates como representante da farmacêutica para a América Latina. Ao que a VISÃO averiguou, o ex-primeiro-ministro terá dito que Helena Lalanda e Castro procurava fazer um doutoramento e ser colaboradora do ISCTE.

Helena Lalanda e Castro terá acabado por recusar comparecer numa entrevista, uns meses depois, por ter mudado de planos e estar a preparar-se para fazer um doutoramento em Inglaterra. Mas a circunstância foi o suficiente para o reitor daquele instituto ser ouvido como testemunha no processo Marquês, em Novembro passado.

Luís Reto terá contado ao procurador Rosário Teixeira que conheceu José Sócrates em 2004, quando o ex-dirigente socialista frequentou uma pós-graduação no ISCTE. O intermediário na questão do currículo, contou, terá sido José Almeida Ribeiro, que dava aulas no Instituto de Políticas Públicas e Sociais, ligado ao ISCTE, e com o qual admite ter mantido algumas conversas sobre o CV. Almeida Ribeiro, quadro do SIS, já tinha sido visado em notícias por ter sido apanhado em conversas telefónicas com Sócrates durante a investigação: enquanto era conselheiro político de António José Seguro, Almeida Ribeiro terá sido apanhado a falar com Sócrates sobre os bastidores do PS.

Esta não terá sido a primeira vez que José Sócrates tentou encontrar trabalho para Helena Lalanda e Castro. Escutas telefónicas que constam do processo que investiga José Sócrates por suspeitas de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais – e que já haviam sido relatadas pelo “Correio da Manhã” – mostram que o ex-primeiro-ministro terá tido uma reunião com um administrador do INEM, José Manuel Mestre, na qual terá tentado interceder para que a irmã de Paulo Lalanda e Castro viesse a ocupar um lugar na direção daquele instituto. À data, Helena Lalanda e Castro estava colocada na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, em regime de mobilidade. Não viria a ser reintegrada, acabando por pedir uma licença sem vencimento. Também aquele administrador do INEM seria chamado, em Novembro passado, a explicar as circunstâncias em que manteve contactos com José Sócrates e qual o seguimento que havia sido dado ao seu pedido.