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As respostas de António Costa por que todos esperavam

Portugal

Foto: Luís Barra

Em entrevista exclusiva à VISÃO, Costa confessa que os entendimentos à esquerda não foram suficientes para integrar Bloco e PCP no Governo, mas admite que isso possa acontecer no futuro. E responde a Luís Montenegro

Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

"A melhor demonstração de que quem ganha por poucochinho pode poucochinho, foi precisamente o que aconteceu à PàF...", diz António Costa à VISÃO, comentando o discurso final de Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, durante o debate sobre o programa do Governo da coligação PSD/CDS, que ontem, terça-feira, caíu, na Assembleia da República.

Embora não tenha tido a oportunidade do contraditório - ou por "ter fugido a essa parte mais nobre do debate político", nas palavras de Luís Montrenegro... - António Costa, desafiado pela VISÃO, não deixa de responder ao líder parlamentar do PSD. Recorde-se que Montenegro fez uma recolha das intervenções de Costa, nos últimos anos, para procurar apanhar o líder do PS em contradição. Nomeadamente, ao lembrar que Costa pediu sempre uma maioria, tendo criticado a vitória do PS de Seguro, nas europeias, "por poucochinho". Luís Montenegro passou boa parte do discurso final a ler citações de António Costa. Mas o líder do PS responde agora: "O Dr Montenegro leu, mas não percebeu que a realidade confirmou as minhas afirmações. Não havendo maioria, os governos resultam das negociações partidárias e a melhor demonstração de que quem ganha por poucochinho pode poucochinho, foi precisamente o que aconteceu à PAF..."

Numa entrevista exclusiva à VISÃO, realizada no final do primeiro dia do debate e que será publicada esta quinta-feira, António Costa espera que "o ressabiamento nervoso da direita passe daqui a uns meses" e que, nessa altura, "assuma uma postura responsável". Costa reconhece que os entendimentos à esquerda não foram suficientes patra que Bloco ou PCP aceitassem integrar o Governo, mas deixa subentendido que, no futuro, isso pode acontecer, ao longo da legislatura.

Em discurso direto:

Empossamento

"Há um grande consenso nacional de que um governo de gestão seria a pior das soluções para o País. Não há nenhum empresário que não diga que essa incerteza é a pior opção. E não há nenhum analista de mercados que não diga o mesmo."

Acordo

"Temos condições para responder imediatamente, quer com a apresentação do programa de Governo, quer com o elenco governativo"

"Os instrumentos fundamentais de governação, discutidos na Assembleia da República (AR), como sejam os Orçamentos de Estado, terão de ser aprovados ao longo da legislatura"

BE e PCP no governo

"Participação do BE e PCP no Governo? O compromisso que obtivemos não permite ir mais além, mas estão garantidas condições de estabilidade e governabilidade. É um resultado que nos deixa confortáveis a todos e que não impede evoluções futuras que permitam consolidar e alargar o que construímos agora..."

Direita

"Não me passa pela cabeça que este ressabiamento nervoso que a direita apresenta neste momento não lhe passe ao fim de uns meses e que não passe a ter uma postura responsável."

Leia a entrevista na VISÃO desta semana, quinta-feira nas bancas