Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

O deputado mais novo do Parlamento

Portugal

Luís Monteiro

Catarina Alves

Luís Monteiro, 22 anos, é uma das novas caras do Bloco de Esquerda e quer dar voz aos problemas dos jovens

No dia em que se estreou na Assembleia da República, na passada sexta-feira, 23, o deputado benjamim andou a conhecer os cantos à casa. A tentar perceber “o circuito dos deputados”, diz, e como se circula naquele espaço. Teve a mesma perceção que muitas outras pessoas quando entram pela primeira vez na sala do plenário: “é bastante mais pequena do que parece na televisão”. Sentado na ala destinada ao seu partido, o Bloco de Esquerda, participou, com orgulho (denota-se nas palavras) na eleição do Presidente da Assembleia da República – Ferro Rodrigues, do PS, foi eleito com os votos da maioria de esquerda.

E encerramos por aqui já um capítulo. O dress code masculino no parlamento não é coisa que o afete muito. Veste-se de forma informal, tem um piercing no nariz e um brinco na orelha esquerda e o cabelo comprido e desalinhado. “Mais importante do que a questão formal, é a questão política”, argumenta. “O fato e a gravata não garantem seriedade, se a seriedade não estiver nas ideias”. Assunto arrumado.

Filho um desenhador técnico da construção civil – emigrado em Angola ainda ele estava a um mês de nascer – e de uma escriturária, agora desempregada, Luís vive em Vila Nova de Gaia, onde nasceu. Aos 16 anos foi estudar para o outro lado do Douro e foi no aí, no Porto, que fez o secundário, na Escola Artística Soares dos Reis, e a licenciatura em Arqueologia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Despertou para a política aos 15 anos. Como se posicionava ideologicamente na esquerda leu os programas dos vários partidos e analisou o seu “trabalho parlamentar”. “Não acreditei que o PS conseguisse responder aos problemas e o PCP estava muito amarrado à sua ortodoxia”, afirma. O deputado queria juntar-se a uma “esquerda nova”. Seguia com atenção as intervenções de Francisco Louçã, Miguel Portas, Luís Fazenda e Fernando Rosas e a entrada para o BE acabou por ser a consequência natural, embora tenha começado com episódio fortuito. Luís tinha acabado de visitar o seu antigo pediatra, com quem mantém, até hoje, uma relação de amizade, e a sede do BE, no Porto, ficava a caminho do hospital. “Nesse dia resolvi entrar e perguntei o que podia fazer”.

José Carlos Carvalho

Por essa altura, foi eleito presidente da associação de estudantes da Soares dos Reis, mandato que renovou por mais duas vezes, e o associativismo estudantil juntou-se ao ativismo político.

Luís, que está agora no último ano de mestrado em museologia e a preparar a tese sobre Inclusão Social dos Refugiados na Europa através dos museus, vai desdobrar-se entre Lisboa – onde já alugou uma casa que divide com outro deputado da sua bancada - e o Porto.

Agora que está do outro lado, naquele em que se participa nas decisões para o País, o parlamentar pode responder com outra “propriedade” às perguntas dos amigos. “Não me coloco na posição de Sr. Deputado”, diz, a rir, mas “posso explicar de outra forma as questões que me fazem sobre educação, política social ou as propostas do BE”.

Aliás, a educação vai ser um dos temas a que vai dedicar mais atenção, e isso inclui a ação social escolar, as propinas ou as bolsas de estudo. A par de outras duas temáticas que estão diretamente ligadas à sua geração: o emprego jovem, precariedade no trabalho e a emigração por falta de oportunidades. “Estas serão as minhas grandes lutas”.

Assim como o combate por “um País verdadeiramente livre e democrático”. “Vivemos sobre a grande chantagem da dívida e dos mercados financeiros, que controlam as grandes decisões políticas.” Mas não é por isso que desanima, pelo contrário, dá-lhe alento: “acredito e acreditarei sempre na mudança”.