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União Europeia contribuiu para perpetuação da pena de morte

Mundo

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Uns puxam o gatilho, outros carregam-no. Três países da União Europeia continuam a ser os principais fornecedores das substâncias usadas em todo o mundo para executar seres humanos

Ainda que, em 2012, tenha sido "proibida a exportação destes químicos na União", o Reino Unido, a Áustria e a Itália continuam a produzir as substâncias habitualmente utilizadas pelos países que ainda não aboliram a pena de morte.

David Nichols, director do departamento da política internacional da Amnistia Internacional, registou o facto de, no ano passado, terem sido registadas menos "execuções no Vietnam, porque antes todas as substâncias usadas nas execuções vinham de países da União Europeia". No fundo, admite que a proibição começa a ter efeitos práticos. Ainda que, pelos vistos, não seja cumprida por todos.

O último país europeu a manter a pena de morte é a Bielorrússia, que ainda no ano passado executou três pessoas. A campanha de sensibilização para os direitos humanos neste estado ex-soviético parece estar a ser ignorada, pois, garante Nichols, "executam pessoas num completo secretismo".

Relatório 2012

Estes e outros dados foram, esta quarta-feira, apresentados pela a Amnistia Internacional, que divulgou o relatório de 2012, onde está explicitado que ocorreram 682 execuções em 21 países. Contudo, a organização não-governamental salienta que continua a verificar-se uma tendência para a supressão da pena de morte a nível mundial.

Salil Shetty, Secretário-Geral da organização, confirmou que "as execuções estão a tornar-se uma medida do passado em muitas partes do mundo", quando ainda há dez anos, 28 países aplicavam a pena de morte. Mas o aumento de 0,3% nas execuções face a 2011 poderá ser explicado pelo facto de a Índia, o Japão, o Paquistão e a Gâmbia, países que há algum tempo não recorriam à pena de morte enquanto medida jurídica, terem retomado a prática.

Em 2012, foram condenadas à morte 1722 pessoas, em 58 países, uma redução significativa face a 2011, quando 1923 indivíduos tinham sido condenados à morte em 63 países. "Apenas um em cada dez países no mundo realiza execuções", explicou Shetty; um dado que levou o Secretário-Geral da Amnistia Internacional a acusar os líderes desses países de "desumanos e cruéis".

Segundo os dados apresentados no relatório da organização, a China, o Irão, o Iraque, a Arábia Saudita e os Estados Unidos foram os países que registaram o maior número de execuções em 2012. Só no ano passado o número de execuções duplicou no Iraque, que representa "um agravamento alarmante".

A Amnistia Internacional avisou ainda que não se conhecem os números relativos à China e ao Irão. Estes dadis são apenas uma estimativa, porque as autoridades não permitem conhecer os dados exactos.

A abolição da pena de morte é uma das principais causas defendidas pela Amnistia Internacional, cuja sede está situada em Londres.