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Polémica nos EUA com recurso a drogas não aprovadas nem testadas para aplicar pena de morte

Mundo

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Reuters

Com os produtos utilizados nas injeções letais esgotados, várias prisões nos Estados Unidos estão a ser acusadas de improvisar alternativas, recorrendo a substâncias não aprovadas para o efeito e que poderão ser dolorosas para os condenados

O caso de Joseph Franklin, condenado à morte por homicídio - e que confessou ter atirado contra o empresário de pornografia Larry Flynt em 1978, deixando-o paralítico - foi o mais recente a alimentar a polémica em torno das drogas usadas nas injeções letais nos estados que aplicam a pena de morte: As autoridades planeavam usar propofol, um potente anestésico que nunca foi testado para este fim, mas a execução acabou por ser adiada depois de ser divulgado que o uso de altas doses do medicamento colocaria em risco os stocks dos hospitais do Missouri. O estado otpou então pelo pentobarbital, manipulado numa farmácia. Mas aqui surge nova polémica: as farmácias que manipulam os medicamentos estão no centro de uma outra contestação, depois de, no ano passado, um destes estabelecimentos ter sido acusado de desencadear um surto de meningite que matou mais de 60 pessoas no Massachussetts. 

A injeção letal é o principal método de execução em todos os 32 estados americanos onde vigora a pena de morte. Durante várias décadas, foram usadas três fórmulas semelhantes em todos os estados, até que uma dessas substâncias deixou de ser fornecida As autoridades passaram então a usar novas substâncias, alegadamente não aprovadas para a morte de condenados. 

Na Florida, por exemplo, William Happ foi executado, no mês passado, com recurso ao midazolam, um relaxante muscular.  Um repórter da Associated Press que testemunhou a execução, relatou que o prisioneiro parecia estar consciente e a movimentar-se mais do outros condenados na mesma situação.

Noutros casos, segundo a BCC, testemunhas afirmam ter visto alguns condenados a contorcerem-se, vomitarem e até gritarem, depois de lhes ser administrada a injeção letal.