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Papa despede bispo numa rara demonstração de poder

Mundo

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Bento XVI demitiu um bispo eslovaco de 52 anos, aparentemente por má gestão da sua diocese, numa rara demonstração de força do Papa que, normalmente, apenas pressiona os bispos para abandonarem, de livre, vontade, os cargos que ocupam. Está aberto o caminho para demissões no âmbito dos escândalos de abuso sexual?

Sempre que o Vaticano entende ser melhor afastar um bispo, seja por problemas de conduta ou de gestão, a política mais usual é a de persuadir o bispo em causa a demitir-se. Mas Bento XVI parece preferir métodos mais diretos. Só no ano passado demitiu três bispos. William Morris, da Austrália, foi afastado depois de ter apelado à Igreja que considerasse a ordenação de mulheres e de homens casados. Dois outros bispos, um do Congo e outro italiano foram retirados dos cargos por problemas de gestão nas respetivas dioceses. 

Agora foi a vez de Robert Bezak, um bispo eslovaco, abrindo a especulação sobre se fará o mesmo com os que estão envolvidos em casos de alegados abusos sexuais.

Face aos processos em curso nos EUA que visam considerar o Papa como responsável pelos abusos cometidos pelos padres, o Vaticano tem argumentado que os bispos têm relativa independência e que o Papa não os controla, pelo que não pode ser considerado responsável pelas suas ações. Esta atitude de demitir bispos de forma ativa - e não simplesmente aceitar a sua saída - parece minar o argumento da Santa Sé. 

"Se um papa pode despedir um bispo, isto implica que é seu supervisor", lembra à Associated Press, Nick Cafardi, um especialista norte-americano em direito canónico.