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Operários chineses sequestraram administração que lhes impôs dois minutos para ir à casa de banho

Mundo

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Associated Press

Cerca de mil operários revoltados sequestraram durante dia e meio os administradores de uma fábrica em Xangai em protesto contra as severas regras que lhes foram impostas para usar a casa de banho, entre outras restrições

Pequim, 22 jan (Lusa) - Cerca de mil operários revoltados sequestraram durante dia e meio os administradores de uma fábrica em Xangai em protesto contra as severas regras que lhes foram impostas para usar a casa de banho, entre outras imposições.

Os trabalhadores da Shinmei Electric Company mantiveram reféns dez administradores japoneses e oito chineses dentro das instalações da fábrica no fim de semana passado e só os libertaram depois da intervenção de trezentos polícias, anunciou hoje a empresa, citada pela Associated Press.

Um segurança da fábrica de produtos eletrónicos afirmou hoje que os trabalhadores fizeram greve para protestar contra as novas regras de trabalho, incluindo limite de tempo para ir à casa de banho e multas por atrasos.

"Os trabalhadores exigiram o fim de regras ridículas que davam apenas dois minutos para ir à casa de banho, com multas para quem se atrasasse uma vez e despedimento para quem se atrasasse duas vezes", referiu o homem, identificado apenas pelo apelido Feng.

O homem acrescentou que "os administradores foram libertados quando a polícia interveio e concordaram mudar as regras".

Hoje, a fábrica esteve fechada, mas os operários voltarão ao trabalho na quarta-feira, adiantou um outro guarda, que não quis ser identificado.

As greves na China são cada vez mais frequentes, um reflexo do ambiente altamente competitivo em que as fábricas laboram e, simultaneamente, da consciência cada vez maior que os trabalhadores têm dos seus direitos, para o que contribui a Internet e os telemóveis, que os põem em contacto.

A Shinmei não referiu a que se deveu o protesto dos trabalhadores, mas relacionou-o com as mudanças nas regras de trabalho, acrescentando que administração e trabalhadores estavam em diálogo e que a polícia estava a fazer interrogatórios.