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Onda de violência em São Paulo faz 140 mortos em duas semanas

Mundo

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Associated Press

A noite do último sábado é um bom exemplo do que vive a cidade de São Paulo por estes dias: em incidentes separados, 14 pessoas foram assassinadas e 12 ficaram feridas

Por volta das 22h00, um motociclista invadiu uma casa particular no bairro de São Bernardo do Campo, matou dois dos residentes e pôs-se em fuga. Cerca de uma hora mais tarde, num bairro próximo, a polícia atirou a matar sobre dois homens, num episódio que é descrito pelas autoridades como uma "troca de tiros". Noutro ponto da cidade, a polícia encontrou o corpo de um homem com uma bala na cabeça.

E estas são "apenas" cinco das vítimas da noite de sábado na maior cidade do Brasil, a braços com uma onda de violência que provocou, pelo menos, 140 mortos nas últimas duas semanas, levando a uma antecipação da hora de encerramento das escolas, a alterações nas rotas dos autocarros e várias manifestações. Em setembro, o total de mortos foi inferior ao registado agora numa quinzena: 140.

Embora as causas por detrás destas mortes sejam de várias ordens, um fator parece pesar nesta equação: a guerra, não declarada, entre a maior fação criminosa de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital, e as autoridades.

A própria polícia reconheceu este fim-de-semana, nos jornais, que muitas das mortes de agentes registadas nos últimos dias tiveram a sua origem em ordens dadas pelos líderes daquele grupo que se encontram detidos. Organizações não-governamentais, no entanto, apontam também responsabilidades às milícias formadas por antigos polícias (e alguns ainda em serviço) que lucram com o tráfico de drogas.

Nos primeiros nove meses do ano, foram registados em São Paulo 982 homicídios, de acordo com os últimos dados oficiais disponíveis - um total mais elevado do que o registado no Rio de Janeiro ao longo de todo o ano passado.