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O risco nuclear em 12 perguntas e respostas

Mundo

As explosões numa central nuclear japonesa deixam no ar várias questões, apesar de as autoridades garantirem que não há perigo de repetição da tragédia de Chernobyl. DOZE PERGUNTAS E RESPOSTAS para entender melhor o perigo real

Já houve fuga de material radioativo?

Aparentemente, sim. Um navio de guerra norte-americano detetou níveis de radiação, embora baixos, a mais de 150 kms da central nuclear de Fukushima, onde se registaram as explosões.

Que quantidade de material radioativo terá sido libertado?

Não é claro. As autoridades japonesas falam em níveis "muito baixos" de radiação, detetados em redor da central. Agência Internacional de Energia Atómica descreve a situação como um incidente de nível quatro na escala internacional de acontecimentos nucleares e radiológicos, que corresponde a um acidente com "consequências locais".

Que tipo de material radioativo foi libertado?

Há relatos de isótopos radioativos de césio e iodo. Os peritos dizem que é natural que também tenham sido libertados isótopos radioativos de nitrogénio e argão. Não há sinais de fuga de urânio ou plutónio.

Que perigo representam estes materiais radioativos? 

O iodo radioativo pode ser prejudicial para os jovens nas imediações da central. Depois do desastre nuclear de Chernobyl, em 1986, houve alguns casos de cancro da tiróide. No entanto, as pessoas que foram medicadas imediatamente com comprimidos de iodo não deverão correr qualquer risco. O césio, o urânico e o plutónio radioativos são perigosos, mas não atingem nenhum órgão do corpo em particular. Os níveis de nitrogénio radioativo baixam poucos segundos depois da sua libertação e o argão não representa uma ameaça para a saúde.

Como é que os materiais radioativos foram libertados?

Ao que tudo indica, o tsunami inundou os geradores que bombeavam a água refrigeradora dos reatores, levando a um sobreaquecimento de tal ordem que pequenas quantidades desses materiais terão sido emitidas juntamente com o vapor. 

A fuga de materiais radioativos podem ter-se dado de qualquer outra forma?

As autoridades atiraram água do mar para três reatores. Esta água ficou contaminada à passagem pelos reatores, mas não se sabe ainda se essa água foi libertada para o ambiente.

Quanto tempo dura a contaminação?

Os níveis de iodo radioativo caem rapidamente. A maioria terá desaparecido no espaço de um mês. O césio radioativo não dura muito no corpo - a maior parte terá desaparecido num ano. No entanto, mantém-se no ambiente e pode continuar a ser perigoso.

Pode acontecer um desastre semelhante do de Chernobyl?

Os peritos dizem que é altamente improvável. A reação em cadeia nos reatores de Fukushima parou e o reator 1 parece estar a funcionar de forma estável. As explosões aconteceram fora dos contentores de aço e cimento que albergam os reatores e que parecem manter-se sólidos. Em Chernobyl, uma explosão expôs o núcleo do reator ao ar, desencadeando um incêndio que durou dias e emitiu material radioativo para a atmosfera. Em Fukushima, as explosões apenas danificaram o telhado e paredes em torno dos contentores. 

Mas pode haver uma explosão nuclear?

Não. Uma bomba nuclear e um reator nuclear são coisas diferentes.

Como funcionam os comprimidos de iodo?

Se o corpo tiver todo o iodo que necessita, não absorve mais iodo da atmosfera. Os comprimidos preenchem o corpo com iodo não-radioativo, o que previne a absorção de iodo radioativo.

Há algum nível de exposição à radiação que possa ser considerado seguro?

Em algumas partes do mundo, a radiação natural é significativamente mais elevada do que outros - por exemplo, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. E, no entanto, a Cornualha é habitada e recebe turistas. Da mesma forma, todos os voos internacionais expõem os passageiros a níveis de radiação mais altos do que o normal. E no entanto, as pessoas continuam a voar e a tripulação passa muito tempo exposta a esta radiação. Os doentes submetem-se a raios-x. Embora os cientistas ainda discutam sobre se há algum nível de radiação que possa considerar-se seguro, a radiação é um facto na vida quotidiana. O que ainda não se sabe é quão mais altos que o normal são os níveis de radiação em torno de Fukushima.

Em que medida é que os problemas em Fukushima afetam o resto do mundo?

Depende desse nível de radiação que for libertado. Atualmente, os efeitos são "locais".