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Imigrantes mortos na Sicília eram egípcios entre os 17 e os 27 anos

Mundo

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Reuters

Os seis imigrantes que se afogaram no sábado perto de Catânia, Sicília, eram egípcios, informaram este domingo os inspetores, avançando a hipótese de o barco que os transportava ter sido abandonado por um navio maior junto à costa

As seis vítimas, que morreram afogadas depois de saltarem do barco a 15 metros da praia pensando já ter chegado à costa, foram identificadas como egípcios de entre 17 e 27 anos.

O único menor do grupo faria 18 anos a 25 de agosto, segundo os inspetores citados pelos media.

O barco, um arrastão, encalhou na areia na madrugada de sábado, em frente a um estabelecimento balnear e a maioria dos imigrantes, sobretudo sírios e egípcios, conseguiram chegar à costa, uns a nado e outros com a ajuda de guardas costeiros.

Os inspetores acreditam que o barco transportava mais de uma centena de pessoas, embora oficialmente haja apenas 94 sobreviventes. Três imigrantes terão conseguido fugir, atirando-se à água.

O Ministério Público anunciou ter chamado a responder perante a justiça dois egípcios de 16 e 17 anos que teriam a função de distribuir alimentos no barco.

A hipótese privilegiada pelos inspetores é a de que o velho arrastão tenha sido rebocado por um "navio principal" e depois abandonado em frente à costa de Catânia.

Com efeito, as autoridades constataram que os refugiados tinham fome, mas não tinham sinais de uma longa travessia marítima.

Um bebé de sete meses que foi brevemente hospitalizado parecia bastante em forma, apesar de um início de desidratação, exemplificam as autoridades.

O procurador de Catânia Giovanni Salvi, que abriu um inquérito por incitação à imigração ilegal e homicídio múltiplo, admitiu também essa tese.

"[Para chegarem sem serem vistos a uma cidade do tamanho de Catânia], eles foram sem dúvida transferidos durante a noite de um navio maior, senão teriam sido avistados mais cedo", disse o responsável ao jornal católico L`Avvenire.

Segundo o magistrado, isto implica a existência de uma "rede organizada (...) para chegar à costa sem serem apanhados em Lampedusa (mais ao sul e mais perto das costas norte-africanas) e para conseguirem escapar ao sistema de vigilância" costeira.

Salvi admitiu a possibilidade de ligações à criminalidade local, nomeadamente a máfia siciliana.

Estas mortes ocorrem depois de, no último mês, imigrantes que conseguiram chegar ao sul de Itália, sobretudo à Sicília e à ilha de Lampedusa, terem relatado a morte de 36 pessoas durante várias travessias.

Devido ao mar calmo que se tem feito sentir no Mediterrâneo, as chegadas de imigrantes às costas sul da Europa têm-se intensificado nos últimos dias.