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Igreja australiana tentou acordo com polícia para evitar investigação a abusos sexuais

Mundo

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A igreja católica australiana tentou fazer um acordo com a polícia do estado de Nova Gales do Sul que teria ajudado a encerrar as investigações abertas contra os sacerdotes acusados de abusos sexuais

O deputado David Shoebridge, do Partido Verde, denunciou o objetivo da igreja em duas ocasiões depois de consultar os registos policiais acessíveis pela lei de liberdade de informação.

Em ambos os casos, o acordo foi selado como caso de entendimento e não chegaram a entrar em vigor, acusou o deputado apesar de a polícia negar o tratamento de favor.

Geoffrey Watson, advogado australiano, defendeu que a chegada a um acordo vulnerava a lei dos delitos.

"Se temos conhecimento de um delito grave, temos de o denunciar (...). Os memorandos eram um acordo para que a polícia desculpasse o incumprimento da lei", refere o advogado em declarações ao canal de televisão ABC.

David Shoebridge sustentou também "ser provável que centenas, senão mais" dos casos tenham sido tratados da mesma maneira o que não protegia as vítimas nem ajudava a polícia a combater o crime "mas protegia o bom nome da igreja impedindo a obtenção de provas contra um sacerdote" e disse que os acordos terão sido tentados entre 2003 e 2004.

Uma comissão especializada investiga os abusos sexuais de menores cometidos em centros religiosos, sociais e estatais e terão sessões abertas para ouvir depoimentos de vítimas que decorrerão em dezembro.

A igreja católica admitiu, no ano passado, 620 casos de abusos sexuais de menores cometidos por sacerdotes na Austrália na década de 1930.