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GALERIA DE FOTOS: Retratos revolucionários

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Alguns tornaram-se conhecidos pelo papel que desempenharam na deposição de Hosni Mubarak. Mas todos são personagens incontornáveis num país onde a democracia continua a marcar passo e onde se tenta provar que os ditadores deixaram de ter direito à reforma

Wael Ghonim, 30 anos, ex-funcionário da Google, criador da página Somos Todos Khaled Said (em homenagem ao jovem morto pela polícia em junho de 2010 e cuja progenitora - na foto - se tornou conhecida como a «Mãe do Egito»). O engenheiro informático e ativista está a escrever um livro sobre a revolução
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Wael Ghonim, 30 anos, ex-funcionário da Google, criador da página Somos Todos Khaled Said (em homenagem ao jovem morto pela polícia em junho de 2010 e cuja progenitora - na foto - se tornou conhecida como a «Mãe do Egito»). O engenheiro informático e ativista está a escrever um livro sobre a revolução

Mahmoud Salim (à esq.), 29 anos, Mona Seif, 25, Gigi Ibrahim, 24, e Hossam El-Hamalawy, 33. Bloggers e ativistas políticos cujos computadores, câmaras e smartphones foram decisivos nas manifestações
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Mahmoud Salim (à esq.), 29 anos, Mona Seif, 25, Gigi Ibrahim, 24, e Hossam El-Hamalawy, 33. Bloggers e ativistas políticos cujos computadores, câmaras e smartphones foram decisivos nas manifestações

Kamal Abass (à esq.), 57 anos, Kamal Eita (centro), 57, e Khaled Ali, 40. Os dois primeiros são dirigentes sindicais, o último é advogado. Foram fundamentais na mobilização pelos direitos laborais
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Kamal Abass (à esq.), 57 anos, Kamal Eita (centro), 57, e Khaled Ali, 40. Os dois primeiros são dirigentes sindicais, o último é advogado. Foram fundamentais na mobilização pelos direitos laborais

Sama Lotfy, 2 anos, Neama el Sayed, 26, Yassin Lotfy, seis meses. A viúva e as duas filhas de um dos 846 mártires da revolução, entre 25 de janeiro e 11 de fevereiro
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Sama Lotfy, 2 anos, Neama el Sayed, 26, Yassin Lotfy, seis meses. A viúva e as duas filhas de um dos 846 mártires da revolução, entre 25 de janeiro e 11 de fevereiro

Heróis anónimos continuam a demandar a Praça Tahrir, no Cairo, para reivindicarem mais direitos e mais democracia
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Heróis anónimos continuam a demandar a Praça Tahrir, no Cairo, para reivindicarem mais direitos e mais democracia

Ahmed Seif Al Islam, 60 anos, é um advogado e ex-prisioneiro político do antigo regime. A sua ONG - Hisham Mubarak Law Centre – tornou-se sinónimo de defesa dos direitos humanos
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Ahmed Seif Al Islam, 60 anos, é um advogado e ex-prisioneiro político do antigo regime. A sua ONG - Hisham Mubarak Law Centre – tornou-se sinónimo de defesa dos direitos humanos

Nawal El Saadawi, 80 anos, médica, escritora, activista - em particular contra a mutilação genital feminina – marcou presença na Praça Tahrir. Acusa os militares, a Irmandade Muçulmana e os oportunistas de estarem a «roubar a revolução»
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Nawal El Saadawi, 80 anos, médica, escritora, activista - em particular contra a mutilação genital feminina – marcou presença na Praça Tahrir. Acusa os militares, a Irmandade Muçulmana e os oportunistas de estarem a «roubar a revolução»

Sondos Shabayek, 25 anos, escritora e jornalista, foi uma das personagens que divulgou, através do Twitter, todos os passos da revolução na capital egípcia
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Sondos Shabayek, 25 anos, escritora e jornalista, foi uma das personagens que divulgou, através do Twitter, todos os passos da revolução na capital egípcia

Hossam Bahgat, 31, diretor de uma prestigiada ONG e ativista dos direitos humanos, tem ainda denunciado a violência sectária contra os cristãos coptas
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Hossam Bahgat, 31, diretor de uma prestigiada ONG e ativista dos direitos humanos, tem ainda denunciado a violência sectária contra os cristãos coptas

Ramy Essam, 23 anos, músico e guitarrista que ficou conhecido como o «Cantor da Praça». Detido e torturado pelos militares, publicou um álbum sobre os protestos durante e depois da queda do regime
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Ramy Essam, 23 anos, músico e guitarrista que ficou conhecido como o «Cantor da Praça». Detido e torturado pelos militares, publicou um álbum sobre os protestos durante e depois da queda do regime

Sally Moore (centro), 33, psiquiatra e dirigente dos cristãos coptas. Moaz Kareem (à esq.), 28, e Mohammed Abbas, 26, são líderes juvenis da Irmandade Muçulmana. Todos colaboraram na organização dos protestos contra Mubarak
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Sally Moore (centro), 33, psiquiatra e dirigente dos cristãos coptas. Moaz Kareem (à esq.), 28, e Mohammed Abbas, 26, são líderes juvenis da Irmandade Muçulmana. Todos colaboraram na organização dos protestos contra Mubarak

Heba Morayef, 32 anos, colaboradora da Human Rights Watch no Cairo, acompanhou toda a revolução, tendo visitado hospitais e morgues para documentar o número de vítimas
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Heba Morayef, 32 anos, colaboradora da Human Rights Watch no Cairo, acompanhou toda a revolução, tendo visitado hospitais e morgues para documentar o número de vítimas

O toque de telemóvel mais popular do Egito retrata bem o clima político do país: "Nego categoricamente todas as acusações", eis as palavras do ex-presidente Hosni Mubarak na primeira sessão do seu julgamento, a 3 de agosto, agora usadas pelos seus compatriotas para exibirem o seu júbilo pelo destino do octogenário rais (chefe), forçado a demitir-se há seis meses. Em setembro, o homem que governou impunemente durante 29 anos voltará a comparecer perante a justiça. Um julgamento onde terá de responder pelo destino dos 846 shuhadaa (mártires), abatidos durante os 18 dias (25 de janeiro-11 de fevereiro) de protestos no Cairo, Alexandria, Suez e outras cidades. E ainda pelos abusos de poder que levaram a acusação a apresentar 5 mil páginas com as "provas" dos crimes de Mubarak e dos seus colaboradores mais próximos, incluindo os seus filhos Alaa e Gamal. Trata-se de um processo histórico. É a primeira vez que um chefe de Estado árabe é colocado na posição de réu e julgado no seu próprio país sem influências externas ao contrário do que sucedeu no Iraque, com Saddam, em 2006, e na Tunísia, com Ben Ali, condenado à revelia a 35 anos de prisão em junho, exilado na Arábia Saudita. Mubarak habilita-se agora a uma pena que pode ir dos 15 anos à execução por enforcamento, mas não parece disposto a assumir o papel de bode expiatório de todos os males do antigo regime. Por isso a sua defesa arrolou 1600 testemunhas, sem esquecer o marechal Hussein Tantaui, ministro da Defesa duas décadas e personagem que dirige de facto o país...

* Platon Antoniou, fotógrafo greco-britânico, de 42 anos, conhecido pelos seus retratos de líderes mundiais. Este seu trabalho resulta de uma parceria com a Human Rights Watch e realizado no Cairo, na primavera de 2011, publicado pela primeira vez na Europa pela VISÃO, na sua última edição