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Foto falsa de Chavéz foi obra de especialista em notícias... falsas

Mundo

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Um professor italiano, conhecido por difundir informações falsas (até anunciou a morte do Papa, fazendo-se passar pelo número dois do Vaticano), diz que não "imaginava" que a falsa fotografia do Presidente venezuelano "iria parar à primeira página do El País"

A fotografia que o diário espanhol chegou a publicar como manchete, antes de suspender a distribuição do jornal, na quinta-feira, foi enviada, segundo uma agência de notícias mexicana, pelo italiano Tommaso De Benedetti, que admitiu ter enviado a imagem para três agências da América Latina, fazendo-se passar pelo ministro da Cultura da Venezuela.

A imagem, que tinha sido, afinal, retirada de um vídeo de uma cirurgia a um paciente, disponível no YouTube, foi comprada pelo El País à agência de notícias Gtres Online, que, por sua vez, alegava ter obtido a foto através de uma enfermeira cubana, integrante da equipa médica de Hugo Chávez.

"Não imaginei que a foto fosse parar à primeira página do El País", disse o professor, de 43 anos, segundo a agência Notimex. 

De Benedetti tem um vasto historial de veicular informações falsas. Em março do ano passado, criou várias contas falsas no Twitter em nome de alguns líderes mundiais. Fazendo-se passar pelo número dois do Vaticano, anunciou a morte do Papa. De outra vez, 'twittou' a morte de Fidel Castro e de Pedro Almodóvar. Os boatos espalharam-se rapidamente pelas redes sociais, como era, aliás, sua intenção.

Aos media, De Benedetti, 43 anos, explicou que queria expôr a falibilidade das redes sociais como fontes noticiosas.

Do seu historial constam ainda entrevistas falsas, que foram publicadas em jornais italianos, mas De Benedetti garante não agir "por dinheiro".

Quando a farsa das entrevistas acabou por ser descoberta (um escritor foi confrontado com declarações que, claro está, nunca proferira) o jornalista virou-se para a Internet, escrevendo um e-mail ao International Herald Tribune, com sérias críticas à guerra na Líbia, assinando em nome de Umberto Eco. Foi publicado.